sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Welcome to America #2


A partir do dia 1 de Janeiro de 2014, a University of Illinois passou a ser um Smoke-Free Campus. Isto significa que é proibido fumar em toda a universidade: dentro de todos edifícios, incluindo os pavilhões desportivos e os parques de estacionamento, mas também nas ruas, passeios e jardins. E até dentro dos carros que circulem ou estejam estacionados dentro do perímetro da universidade. E estamos a falar de uma área que abrange cerca de 18 Km2!

As razões apresentadas em defesa desta medida são as habituais: os malefícios do tabaco, incluindo o secondhand smoke, e a necessidade de criar um ambiente mais saudável para todos. E claro, os custos acrescidos na área da saúde. Mas será razoável proibir que se fume ao ar livre ou dentro do carro de cada um? Estar-se-á a limitar de forma desproporcionada a liberdade individual dos fumadores, tendo em conta que de tal proibição não parece advir grande benefício para a saúde e bem estar dos não fumadores?  

Não sou fumadora e gosto de estar em ambientes livres do fumo dos cigarros. Acho que o meu bem estar social sofreu melhorias significativas após a aprovação e implementação da “lei do tabaco” que está atualmente em vigor em Portugal. É bom poder estar num café ou restaurante e não estar rodeada pelo fumo dos cigarros dos outros. Mas esta medida parece-me um pouco exagerada e, no entanto, por aqui não se ouvem grandes protestos, e muito menos comentários inflamados contra esta tirania do politicamente correto! 

E depois vemos este título no The New York Times de hoje – List of Smoking-Related Illnesses Grows Significantly in U.S. Report - e ficamos a pensar se não será mesmo melhor cortar o mal pela raiz. Perdoem-me os fumadores, principalmente os meus amigos fumadores, mas se calhar o vosso cigarro é ainda mais prejudicial do que eu pensava.

Podem ler o artigo do The New York Times aqui.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

13 de janeiro de 2014


Dia de operação ao joelho. Deixei o Rui na clinica às 7:15 da manhã. Depois de levar os miúdos à escola voltei. Passei a manhã na sala de espera. Numa das paredes havia um ecran grande onde podia ir acompanhando o percurso do Rui “lá dentro”. A cada paciente é atribuído um número (para garantir a sua privacidade) que nos permite, em cada momento, saber onde é que ele está. Enquanto estive à espera, saltitei do computador (havia internet grátis) para o livro que comecei a ler – Americanah da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Havia uma televisão ligada, mas não me incomodou. Ansiei por um café.

Por volta do meio-dia, vi no ecran que a operação tinha acabado. O Rui foi para o recobro. Logo de seguida, o médico veio falar comigo (um senhor de meia idade, muito calmo e simpático). Encaminhou-me para uma pequena sala onde me explicou, com uma voz pausada, o que tinha feito, mostrando-me fotografias das várias fases da operação, como tinha corrido e o que nos esperava nos dias que se seguirão. 

Voltei para a sala de espera a digerir a informação toda. O Rui nunca mais saía do recobro. Comecei a ficar com fome. Não havia nada para comer ou beber nas redondezas. Dividida entre o “não posso sair daqui, que o Rui já está no recobro e devo estar quase a poder ir vê-lo” e o “devia ir comer qualquer coisa enquanto ele está no recobro, se não vou ficar com uma bonita dor de cabeça.” Fui ficando, até que me vieram chamar. E lá fui eu de estômago vazio. Encontrei o Rui ainda meio “grogue” da anestesia.

Uma enfermeira muito simpática ía acompanhando a sua evolução, enquanto ía descarregando uma série de informação, documentação e instruções sobre o que fazer e não fazer nos próximos dias. Aos poucos, o Rui ía ficando cada vez mais desperto. Ao fim de cerca de 2 horas, deram-lhe alta e viemos para casa. Estava um lindo dia de sol e uns loucos 9º positivos!

Aqui fica a foto (nada bonita) do joelho para a posterioridade:



Mas o dia 13 de janeiro foi também o dia da primeira aula de dança jazz da Matilde. Finalmente! Ao fim do dia, levei-a ao estúdio, vestida e calçada a rigor, feliz da vida e com um sorriso de orelha a orelha! Quando a fui buscar, assisti, do lado de fora da porta envidraçada, à parte final da aula e não é que a miúda já acompanhava sem qualquer problema a coreografia que a classe vai apresentar no recital do final do ano lectivo (e que as outras miúdas tinham começado a ensaiar em Novembro). Temos bailarina!

domingo, 12 de janeiro de 2014

E agora as férias!


A chegada a Lisboa não foi auspiciosa. Eram 3 da tarde de um dia chuvoso e nessa manhã tinha havido greve no Metro. A 2ª circular estava o caos. E num ápice lá se foi a visão romântica da cidade que quem está fora vai construindo e retendo no seu imaginário!

Foram dias muito intensos. Entre a família e os amigos. Entre Lisboa e Coimbra. Uma correria. Conseguimos estar com quase toda a gente que queríamos ver. Infelizmente não tanto tempo como gostaríamos. Soube a pouco o tempo que estivemos com cada um(a). Mas ainda assim soube muito bem!

À boa maneira portuguesa quase todos os encontros aconteceram à volta de uma mesa. Muitos almoços e jantares! Mais os 80 anos do meu sogro, umas Bodas de Prata de uns amigos, a ceia de Natal, o almoço de Natal, o Fim d´Ano. Muita comida. Come-se muito bem em Portugal, todos sabemos. Em casa e fora!

Logo no dia em que cheguei tive um cheirinho do que iam ser os dias seguintes. Jantar com 2 amigas (e umas quantas crianças) no Vasco da Gama. O sítio não era o ideal, mas isso foi (como quase sempre) completamente secundário.  Depois, enquanto uma delas foi com a  criançada ao espetáculo de Natal da Rádio Comercial, fiquei com a outra à conversa. Havia muita conversa para pôr em dia, apesar do enorme cansaço que sentia da viagem.  

No dia seguinte fui ao “meu” escritório rever as pessoas com quem tive o enorme privilégio e prazer de trabalhar durante muitos anos. E foi como se tivesse lá estado no dia anterior! Só que agora sem a preocupação de ter que resolver os problemas (sempre urgentes) dos clientes, sem ter uma série de telefonemas e e-mails em atraso, sem ter prazos a chegar ao fim. Estava tudo na mesma, excepto a “minha” secretária que estava ocupada por outra pessoa! Ouvi os desenvolvimentos de algumas histórias antigas, ouvi histórias novas de velhos clientes. Tudo me soou familiar, mas ao mesmo tempo muito distante ... Fomos almoçar todos juntos, como sempre fizemos ao longo dos anos para celebrar momentos importantes.

Num outro dia da semana seguinte, fui almoçar com a Rita, amiga e colega de escritório. Que saudades dos nossos almoços no pronto-a-comer do Castil e das nossas conversas sem fim. Partilhámos o mesmo gabinete durante 18 anos, sabíamos (quase) tudo da vida uma da outra. Não obstante as nossas diferenças, criámos uma enorme cumplicidade, de que sinto muita falta. Na verdade, conversar com a Rita tornou-se quase uma terapia! Durante muitos anos sempre me referi a ela como sendo “a minha colega de escritório”, até que me apercebi quão redutora era essa descrição.  
 
Ainda em Lisboa, fui ao Careca comer um croissant (e comprar 2 para o Miguel). Fui às Amoreiras, o meu centro comercial preferido. Fui ao Piazza di Mare, mas como era de noite perdi o melhor que aquele sítio tem. A vista deslumbrante sobre o rio Tejo e a ponte 25 de Abril. Fui à Loja das Conservas, na Rua do Arsenal, um espaço novo de venda de conservas nacionais. Não houve tempo para muito mais. Principalmente não houve tempo para ir ao Chiado, o coração da cidade, onde gosto muito de ir.

Em Coimbra, normalmente não vamos a sítios. Estamos com pessoas. Apesar de ter muita vontade de visitar o “novo” Museu Machado de Castro. Mas ainda não foi desta. Estamos com a minha família, a quem todo o tempo que passamos lá sabe sempre a pouco e estamos com  o nosso grupo de amigos, de longa data, dos tempos do liceu e da Faculdade. Nesta altura do ano, o ponto alto é a Passagem d´Ano, que fazemos juntos há décadas!

Os miúdos adoraram estar com os primos (grandes e pequenos), com os avós e com os tios. E com os amigos. E foi bom ver que o  fizeram de uma forma muito saudável e natural. Espero que apesar da distância consigam manter e fortalecer estes laços, pelo menos alguns deles, que outros irão naturalmente esvanecer-se, tal como se esvaneceriam se continuássemos a viver em Portugal. É assim a vida. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Será que o melhor das férias é mesmo o regresso a casa?


Há muitos anos atrás, um amigo brasileiro dos nossos tempos de Minneapolis disse que uma das razões porque as pessoas gostam tanto de ir de férias é para poder sentir o prazer de regressar a casa! 

Lembro-me sempre destas palavras, porque me revejo muito nelas.  Não é que não goste de férias e de passear. Adoro, mas dá-me sempre muito prazer regressar a casa! Sinto-me especialmente confortável e tranquila. Retomam-se as rotinas. As coisas voltam todas ao seu lugar. Em casa, cada coisa tem o seu lugar. E para uma pessoa com uma “ligeira” obsessão pela arrumação e pela organização, isso é muito importante! 

Nas férias, principalmente quando andamos de um lado para o outro, (como é, em geral, o nosso caso) as coisas andam permanentemente emaladas. A roupa fica toda engelhada, misturada com sacos de sapatos, sacos com a roupa suja, cintos e outros acessórios. Proliferam as bolsas para isto e para aquilo, numa tentativa de criar uma organização, ainda que precária. 

Se o meu amigo estiver certo, cada um terá a sua razão para gostar de voltar a casa depois das férias. Eu gosto de voltar e arrumar as coisas nos seus lugares!

P.S. Este post pode ter sido ligeiramente influenciado pelos acontecimentos ocorridos no início desta semana  ... Desta vez, regressar a casa soube mesmo muito bem!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O regresso a casa

Domingo, dia 5 de Janeiro – O nosso dia começou cedo. E nem podia ser de outra maneira. Tínhamos o primeiro voo às 7 da manhã e pela frente (achávamos nós) mais 2 voos e uma viagem de carro de 2 horas até Urbana. Se tudo corresse bem estaríamos em casa por volta da meia-noite de Domingo ...

O despertador tocou às 4:30 da manhã. Foi difícil levantar-me e muito difícil arrancar a Matilde da cama. Mas lá nos arranjámos todos. A passagem pelo aeroporto de Lisboa deixa-nos sempre stressados. Muita gente. Filas intermináveis. Uma organização que deixa muito a desejar. Em contrapartida o voo da TAP que nos levou de Lisboa a Amesterdão foi impecável: hospedeiras simpáticas, comida muito decente e até a revista de bordo – Up – é boa! Artigos interessantes, sobretudo sobre Portugal e os portugueses, e fotografias excelentes.

No gigantesco, luminoso e bem organizado aeroporto de Amesterdão – Schiphol – comemos a última (pequena) refeição na Europa, após o que tivemos que passar pela segurança americana – somos revistados “à séria” e verificam os passaportes e restante documentação 2 ou 3 vezes. Sinto sempre um nervoso miudinho!

O voo que nos leva da Europa (Amesterdão) para os USA (Philadelphia) é longo. O tempo custa a passar. O espaço é exíguo. O filme que passa no avião é um deja vu – Enough Said (o filme que vimos na nossa primeira ida ao cinema em Urbana). Quando já estávamos a mais de meio da viagem somos informados pelo Comandante que vamos fazer uma breve paragem em Bangor, no Maine, que fica na pontinha nordeste dos USA, para reabastecer o avião. É uma cidadezinha no meio de florestas e lagos, toda coberta de neve. A paragem demorou cerca de 1 hora. Enquanto aguardávamos dentro do avião soubemos que, por causa do mau tempo, o nosso voo de Philadelphia para Indianápolis tinha sido cancelado. A coisa prometia ...

Quando chegámos a Philadelphia apercebemo-nos imediatamente que afinal não era só o nosso voo que tinha sido cancelado. O aeroporto de Indianápolis, bem como muitos outros do Midwest, estavam encerrados. Lá passámos os Serviços de Imigração, fomos buscar a bagagem (4 malas enormes) e passámos a Alfândega. O que se seguiu foi o início da pequena odisseia que tínhamos pela frente ... 

O aeroporto de Philadelphia estava uma confusão. Tentámos remarcar o nosso voo para o dia seguinte, mas estava tudo cheio. Ficámos em lista de espera no primeiro voo da manhã de Segunda-feira. Dito assim até parece que foi um processo simples e rápido. Mas não! Fomos para uma fila, falámos com um funcionário, que incapaz de nos resolver o problema, nos enviou para outro que ficava no outro lado do edifício. Lá fomos, arrastando 4 malas enormes atrás de nós. Nova fila, novo funcionário, em vão. O melhor que conseguiram foi colocar-nos em “stand by” para o tal primeiro voo da manhã seguinte.

Entretanto era de noite. Estávamos todos muito cansados. Mas como o cancelamento do voo foi devido ao mau tempo, a companhia aérea não arranjava hotéis para ninguém.  O Rui lá se pôs em campo e (bendita internet) rapidamente encontrou um hotel perto do aeroporto que ainda tinha quartos disponíveis! Lá fomos à procura do shuttle que nos levou ao hotel. Sempre a arrastar 4 malas enormes atrás de nós! Mas que bem que soube tomar um duche quente e ter uma caminha para dormir!

Segunda, dia 6 de Janeiro - O nosso dia voltou a começar cedo. O despertador tocou às 5 da manhã, pois o tal primeiro voo da manhã era às 7. Nem tivemos tempo para tomar o pequeno-almoço no hotel. Chegámos ao aeroporto e verificámos que o “nosso” voo tinha sido cancelado! E todos os outros desse dia de Philadelphia para Indianápolis estavam cheios! Bem como os de Philadelphia para qualquer outra cidade do Midwest (nesta altura do campeonato já estávamos por tudo ...).

Lá voltamos nós ao “guichet” da US Airways. Mais filas intermináveis. Só nos “garantiam” voo no dia seguinte e em 3 aviões diferentes: dois de nós iríamos de manhã, um ao início da tarde e outro ao fim da tarde! Muito prático ...

Poupo-vos os pormenores das discussões e ameaças do Rui aos vários funcionários da US Airways que fomos encontrando pelo caminho. Tenho sempre muitas dúvidas que esta seja a melhor abordagem, mas os nervos estavam à flor da pele. E admiro-lhe a capacidade para, em situações de stress, tomar rapidamente decisões e resolver os problemas que vão surgindo. Eu fico meio abananada e lá vou acenando sempre que ele me pergunta o que é que eu acho disto ou daquilo!

Entretanto, como a ideia de ficar um dia inteiro em Philadelphia à espera nos pareceu logo um péssimo cenário, resolvemos alugar um carro e pusemo-nos a caminho. Foi uma viagem de 12 horas. Um pouco mais de 1.000 Km. Atravessamos a Pennsilvania, uma pontinha de West Virgínia, Ohio e Indiana. Apanhámos uma tempestade de neve nos Apalaches e ao longo da viagem assistimos à gradual descida da temperatura de 5º positivos para 24º negativos!

Chegámos a Indianápolis já era de noite. A cidade estava paralisada. As estradas estavam cheias de neve. A coisa era de tal maneira dramática que no dia anterior (Domingo) o Mayor da cidade tinha declarado que era ilegal conduzir, excepto em situações de comprovada emergência!  Quando chegámos apesar de já não estar em vigor tal proibição, não se via quase ninguém na rua.

Fomos directamente para o aeroporto onde tínhamos deixado o nosso carro. Enquanto eu e a Matilde ficámos no terminal das partidas à espera, o Rui e o Miguel foram entregar o carro alugado e buscar o nosso carro ao parque de estacionamento de longa duração, que estava coberto e rodeado de neve por todo o lado. Lá limparam o suficiente para o conseguirem tirar dali. Estavam -24º! Procurámos um hotel para passar a noite e lá fomos. 

Terça, dia 7 de Janeiro – Fomos acordados um pouco antes das 8 da manhã com um telefonema da US Airways para o telemóvel do Rui. Era uma mensagem gravada a informar que o nosso voo de Philadelphia para Indianápolis tinha sido cancelado! O Rui desatou-se a rir.

Por volta das 10 horas iniciámos a viagem de regresso a Urbana. Quase 3 horas por uma auto-estrada coberta de gelo e rodeada de neve.  Vimos dezenas (se não centenas) de carros e camiões na berma da estrada – tinham derrapado no gelo e ficaram enterrados na neve. Impressionante! Nunca tinha visto nada assim, e vivemos 5 anos em Minneapolis! A viagem foi toda feita a muito baixa velocidade, a escolher os bocadinhos da auto-estrada que pareciam menos gelados. Sempre rodeados por camiões, alguns demasiado destemidos para o meu gosto!

Chegámos a casa à hora do almoço. Cerca de 60 horas depois de termos saído do aeroporto de Lisboa! Chegou finalmente ao fim uma viagem que não correu bem. Mas podia ter sido pior! Não tivemos que passar horas no aeroporto a dormir sentados. Os miúdos foram impecáveis, apesar do cansaço e dos atrasos. Podemos contar com o Miguel para fazer os trabalhos árduos, sempre com boa vontade. As viagens de carro foram tranquilas, apesar das "condições atmosféricas adversas". E quando chegámos a casa e nos preparávamos para limpar a neve acumulada nas entradas da casa e da garagem, apareceu um sujeito com uma máquina limpa-neves a dizer que por $ 45  nos limpava a neve! Fechámos negócio por $ 40 e "em menos de um fósforo" estava tudo limpo!