quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Casas

Tenho saudades da minha antiga casa. A casa que comprámos, reconstruímos e que julgávamos que ia ser a nossa casa por muitos anos, até ficarmos velhos e termos que a vender para comprar um apartamento porque já não conseguiamos subir e descer as escadas! Agora é a casa de outra família. Espero que goste de lá viver tanto como nós gostámos!






Gosto da casa em que estamos a viver. É bonita e acolhedora. Tem personalidade. Sentimo-nos bem aqui. Mas não é a nossa casa. É a casa de outra família. Estas coisas não são as minhas coisas. Se fosse nossa, se calhar mudaria algumas coisas. De certeza que mudaria algumas coisas!






Estamos à procura da nossa nova casa. Sei que queremos continuar a viver no bairro onde vivemos agora, mas ainda não encontrámos a casa onde gostariamos de viver. Na verdade, vi uma de que gostei muito, mas não era suficientemente grande para uma família de 5. Nesta zona, as casas são todas antigas (de meados do século passado). Algumas estão bastante bem conservadas. Outras nem por isso. Umas são muito bonitas, outras são horrorosas! É preciso ter paciência e procurar. Aqui há sempre uma enorme mobilidade. As pessoas mudam de emprego, de cidade, de Estado. Umas vão, outras vêm e por isso há sempre muitas casas à venda, principalmente na Primavera, a época alta das transacções imobiliárias. Mas é preciso estar muito atento, pois as melhores casas estão no mercado 1 ou 2 semanas. E pronto, já eram! Quando houver novidades, conto!


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Defeito ou virtude?


Acho que já aqui referi que sou um bocadinho obcecada com organização e arrumação. Tento manter as coisas a um nível minimamente saudável, mas às vezes percebo que tendo a resvalar para o obsessivo! E lá me tento controlar!

Em casa, preciso que cada coisa tenha o seu lugar e que esteja no seu lugar. Detesto olhar à minha volta e ver coisas desarrumadas. Dou muitas ordens de arrumação, num tom mais ou menos autoritário, que os meus filhos, à medida que vão crescendo, vão contestando cada vez mais. De vez em quando lá recorro a argumentos do tipo “aqui quem manda sou eu e acabou-se a conversa”. Outras vezes, para evitar o confronto, acabo por arrumar eu as coisas e pronto. Depende do estado de espírito do momento!  

Gosto de ter rotinas, de escrever em agendas e de fazer listas. São coisas que me ajudam a gerir e a organizar o tempo. Só assim tenho a sensação de que controlo o que tenho para fazer. Gosto de sentir que os inúmeros afazeres do dia-a-dia estão organizados, seguem uma ordem mais ou menos pré-definida, sem prejuízo de lidar com relativa facilidade com os inevitáveis imprevistos que vão surgindo e que é preciso ir acomodando. 

Desde que me lembro, que tenho uma agenda onde guardo todo o tipo de informações e onde anoto o que tenho que fazer dia após dia. Este ano, pela primeira vez renunciei à agenda em papel e tenho uma no computador. Não gosto tanto, confesso, mas ter uma agenda em papel estava-se a tornar uma coisa demasiado antiquada. Motivo de escárnio e olhares de desdém, até! 

Faço listas para tudo e mais alguma coisa. Nos meus tempos de advogada, muitas vezes acordava a meio da noite angustiada a pensar nas muitas coisas que tinha para fazer no escritório. E, normalmente, só conseguia voltar a adormecer depois de fazer uma lista das coisas a fazer no dia seguinte, por ordem de prioridade. Muitas vezes, fazia-a mentalmente. Outras vezes, quando a insónia era mais severa, tinha que me levantar e escrever num papel. Organizar as coisas numa lista tranquilizava-me, era uma maneira de gerir o que me parecia ingerível e voltar a adormecer. 

Ainda não percebi bem se esta mania da organização é uma virtude ou um defeito. Mas posso dizer que é muito cansativa. Às vezes gostava de ser mais relaxada. Mas até hoje, todas as minhas tentativas para ter uma atitude mais do tipo "não te rales" resultaram infrutíferas. É superior às minhas forças!


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Coisas de que tenho saudades # 4

Das nossas manhãs de Sábado no Bairro do Restelo!

Saíamos (eu e a Matilde) de casa por volta das 10 da manhã. Normalmente a nossa primeira paragem era no quiosque e de lá íamos até ao café, tomar o nosso "reforço" de pequeno almoço. Íamos variando entre os 3 que existem no Bairro, mas normalmente evitávamos o Careca que ao fim de semana de manhã é demasiado concorrido para o nosso gosto!

Outras duas paragens obrigatórias era o talho e a mercearia. De vez em quando faziamos uma visita à drogaria, à papelaria ou à loja das fotografias (que eu ainda imprimo algumas, as melhores).

Se a manhã estivesse soalheira ainda espreitávamos a Maria Nuvem, a Plátano decorações, e uma ou outra montra de lojas de cujo nome entretanto me esqueci!

Ficávamos mesmo tristes nos Sábados em que, por qualquer motivo, não podíamos dar a nossa voltinha matinal!



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Licença para conduzir!


O meu filho, que há menos de 3 meses atrás fez 15 anos, trouxe há uns dias para casa a permit (licença) para aprender a conduzir! E eu fico parva com a velocidade a que as coisas acontecem! Será que não dá para desacelerar um pouco? 

Aqui, faz parte do currículo do 10º ano da High School aprender a conduzir – a disciplina chama-se Driver’s Education. No caso dele, é uma disciplina do 2º Semestre. Há duas semanas atrás fez o exame de código na escola, e agora começou a fase de aprender a conduzir. Tem aulas na escola, com um instrutor, em viaturas da própria escola e, em casa, deve praticar, sob a orientação de um adulto que tenha carta de condução. Um mínimo de 50 horas, sendo 10 à noite. 

Ontem, teve a sua primeira aula de condução na escola. Diz que até se saiu bem! O que é bom, tendo em conta que, 2 dias antes, tinha caído um enorme nevão e ainda havia (há) muita neve e gelo nas estradas. Este fim-de-semana, provavelmente, teremos a primeira "aula" em casa!

Quando fizer 16 anos poderá fazer o exame de condução, et voila receberá a sua carta de condução! E nós vamos ter um puto a pedir-nos a chave do carro para ir dar umas voltas! 

Até aos 18 anos, não será um condutor com plenos direitos. Não poderá, por exemplo, conduzir depois das 10 da noite (11 da noite às Sextas e Sàbados). Não poderá falar ao telefone, nem mandar mensagens, coisas que os adultos podem fazer! Apesar de ser altamente desaconselhável. 

Quanto aos custos, tirar a carta de condução também não tem nada a ver com o que se passa em Portugal. Pagámos $ 20 (um pouco menos de 15 euros) para ele fazer o exame de código. Pagámos $ 200 (cerca de 150 euros) para ele ter as aulas de condução na escola e penso que pagaremos outros $ 20 (cerca de 15 euros) para fazer o exame de condução. Tudo somado, tira-se a carta por menos de 200 euros. 

O que será que as nossas Escolas de Condução fariam se se tentasse implementar um sistema deste tipo, ou parecido, em Portugal? Cairia o Carmo e a Trindade, no mínimo! 


 (A permit)

 (O guia para pais e filhos)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Coincidência?


Desde o dia 1 de Janeiro de 2014, é legal a venda, a maiores de 21 anos, de marijuana no Estado do Colorado para fins recreativos (em doses moderadas, claro!). É o primeiro estado norte-americano a legalizar a venda desta droga para fins não medicinais. 

Este ano, o número de candidatos à University of Colorado (para o ano lectivo 2014/2015) aumentou 33% em relação ao ano anterior, tendo aumentado substancialmente o número de candidatos oriundos de outros Estados americanos (43%) e do estrangeiro (65%). 

Apesar de os responsáveis da Universidade (ainda) não o assumirem publicamente, será difícil não relacionar estes 2 factos. Digo eu ... 




terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Para comemorar e mais tarde recordar!

Uns dias antes do Natal, o meu sogro fez 80 anos. Uma bela idade que merecia ser comemorada de forma especial, pensámos nós. Na verdade, a bem do rigor histórico, deveria dizer "pensou a filha mais velha", que é normalmente o motor desta família, quando é preciso mobilizar o pessoal para fazer o que quer que seja! (Obrigada, Daniela!)

Dezenas de e-mails depois, de várias ideias discutidas e ponderadas, decidimos oferecer-lhe uma sessão fotográfica em família! Uns gostaram mais do que outros da parte de posar para a fotografia (o aniversariante, por exemplo, não achou muita piada a esta parte ...), mas acho que todos gostaram do resultado final!

Eis algumas das minhas fotos preferidas (by Spoil)


(O avô com os filhos)

(O avô com os netos)


(Os netos)

(Nosotros)

(A tia com as meninas)

(As manas)

 (As mulheres)

(A família)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Uma escolha controversa?


Nunca me passou pela cabeça que um filho meu iria para uma escola só de raparigas ou só de rapazes. Parece uma coisa tão antiquada. Tão do tempo dos nossos pais! A minha mãe andou num liceu feminino! Em Coimbra, era o D. Maria, escola que nos últimos anos tem andado na ribalta por causa dos rankings.

Mas às vezes quando somos chamados a tomar decisões concretas relativamente aos nosso filhos, designadamente quanto à educação que lhes queremos dar, acabamos por decidir de maneira diferente daquela que éramos supostos decidir tendo em conta os nossos princípios e as nossas vivências.

A situação mais comum, será talvez a dos pais que sempre defenderam a escola pública, mas quando chega a hora de decidir relativamente à escola dos seus filhos acabam por optar por uma privada. Um caso famoso dos tempos da nossa primeira estadia aqui nos USA, nos idos dos anos 80/90, foi a do casal Clinton, teoricamente grandes defensores da escola pública, mas quando chegaram à White House, decidiram pôr a sua filha Chelsea, na altura a começar a adolescência, num colégio privado de Washington DC. Na altura, justificaram a sua escolha por razões de privacidade e de segurança da miúda. Na altura, isto deu um grande “sururu” na comunicação social, claro.

Em relação à escola da Matilde, ainda antes de virmos para Urbana inscrevemo-la em 2 escolas privadas, porque achámos que lhe dariam um melhor apoio nesta fase de transição e adaptação. A escola pública (Middle School) da nossa área de residência é uma escola enorme, não tem fama de ser especialmente boa (ao contrário da High School) e com as dificuldades que ela tinha com o inglês, achámos que se sentiria perdida e desamparada. Decidimos, por isso, que a iríamos pôr numa privada, pelo menos nestes primeiros tempos.

Numa das escolas em que a inscrevemos, uma escola com excelentes recursos e fama de ser bastante boa, não conseguiu entrar. Ficou em lista de espera. Entrou na outra, que é onde anda. É uma escola muito pequena, o que lhe permite ter um ensino bastante personalizado, num ambiente muito acolhedor. Foi principalmente por estas 2 razões que a escolhemos. Acontece que esta é uma escola só para raparigas. Não foi por ser só de raparigas que a escolhemos, mas o facto de ser só de raparigas também não nos inibiu de a considerarmos.

Na verdade, acho que nesta idade – 10 anos – não faz grande diferença o convívio dela ser maioritariamente com raparigas, muito provavelmente seria assim mesmo que estivesse numa escola mista. Ainda é aquela idade em que são raparigas para um lado e rapazes para o outro. Mas mais para a frente acho que não faz muito sentido. O contacto com a diversidade, a todos os níveis, é essencial para um crescimento saudável e para uma formação sólida que a prepare para a vida real. 

Era bom se podessemos ir testando a bondade das nossas opções em tempo real, mas a verdade é que, regra geral, só mais tarde, em retrospectiva, conseguimos fazer essa avaliação. Entretanto, nada como confiarmos na nossa intuição e na posição privilegiada em que nos encontramos para sabermos o que é melhor para os nossos filhos.

As meninas da Campus Middle School for Girls num passeio que deram no início do ano lectivo. 
A Matilde é a quarta do lado esquerdo da fila de baixo