sábado, 5 de abril de 2014

Austin, Texas

E ao 3º dia lá chegámos a Austin, a mais interessante de todas as cidades que visitámos nestas nossas mini-férias da Primavera. Gostei muito! Austin é uma cidade bonita, cheia de vida e de música. Conhecida pelos seus festivais e pela sua irreverência no panorama predominantemente conservador do Estado do Texas! O seu mote é Keep Austin weird!

Visitámos alguns museus e o Capitólio (Austin é a capital do Estado), passeámos pela downtonw, andámos de canoa, comemos o famoso Texan Barbecue e tivemos a experiência inesquecível de Austin by night! Aqui tivemos o privilégio de ser guiados por um amigo que vive na cidade há 6 anos, o que fez toda a diferença.


Conhecemos o Hector logo que chegámos a Minneapolis, em 1989, e não foi preciso muito para se tornar num dos nossos grandes amigos. Ele e o Rui começaram o programa de Doutoramento na mesma altura e foram sempre colegas. Durante 5 anos foi uma presença constante na nossa vida. Depois, nós regressámos a Portugal e durante muitos anos pouco contacto mantivemos. Foi muito bom estar com ele e com a mulher, a Mónica, que também conhecemos em Minneapolis. Entre recordar os velhos tempos e preencher os espaços em branco dos últimos 19 anos, foram 3 dias de muita conversa. Como eu gosto!

Como já disse, gostei muito da cidade. Muito luminosa e colorida. Muitas referências musicais por todo o lado. Percorremos a pé as principais ruas da downtown, aproveitando o Sol que nos acompanhou quase sempre.


 




 
Num dos dias, fomos almoçar num dos restaurantes da downtown, que servem o famoso Texan barbecue. Muito bom! No fim, veio a conta, com a gorjeta incluída - 20%!





Visitámos o Capitólio e vários museus: The Blanton Museum of Art, The Texas State History Museum e o The Harry Ransom Center.

O Capitólio é o maior dos Estados Unidos (Texas size, portanto!) e vale a pena fazer-lhe uma breve visita. Nós tivemos a sorte de nos infiltrar numa visita guiada com um guia muito curtido!




O Museu sobre a história do Texas é muito interessante. O Texas tem uma história um pouco diferente dos restantes Estados, pois à equação onde normalmente figuram os índios nativos e as várias vagas de europeus e africanos que foram chegando, há que acrescentar os Mexicanos que andaram para cima e para baixo num jogo de forças com os "americanos", até que finalmente as fronteiras entre os 2 Estados foram definitivamente estabelecidas. Nos entretantos, o Texas até foi um Estado independente durante cerca de uma década! 




Ao The Harry Ransom Center fizemos uma visita cirúrgica, para ver The Gutenberg Bible, o primeiro livro a ser impresso por Gutenberg no Século XV, dos quais só existem 48 exemplares completos no mundo. Nos Estados Unidos existem 5 exemplares, sendo que um deles é este que vimos em Austin. Vimos também aquela que foi a primeira fotografia a ser tirada em França em 1826 ou 1827. Duas preciosidades que vale a pena ver. 





Depois de tanta cultura, precisávamos de apanhar um pouco de ar, pelo que fomos até à beira rio, onde o Rui, a Matilde e o Hector deram um pequeno passeio de canoa. O Mafalda quis ficar num Starbucks da downtown, o Miguel preferiu ficar a descansar na margem do rio e eu fiz-lhe companhia! 





Falta só falar da nossa expediência nocturna em Austin! Num dos dias deixámos os miúdos em casa e saímos os 4. Fomos ver o espectáculo Esther Follies na famosa 6th Street, a rua onde à noite tudo acontece! Uma espécie de revista à americana, com muita sátira política, música e até um espectáculo de magia, num ambiente muito intimista. A seguir fomos jantar a um restaurante francês chamado Chez Nous, onde posso muito bem ter comido a melhor refeição desde que aqui aterrei no dia 1 de Agosto de 2013! Optei por um prato de salmão, acompanhado por batatinhas e uma variedade de legumes. Tudo muito bem confeccionado, sem qualquer sofisticação, a provar que muitas vezes quanto menos, melhor! Para terminar a noite, atrevêmo-nos a entrar num dos inúmeros bares com música  ao vivo, onde bebemos umas cervejas e constatámos mais uma vez que já demos para certas coisas ... A música, um Rock demasiado pesado para o meu gosto, estava tão alta que era impossível conversar, coisa que me irrita por demais. 

E é isto. Foi assim a nossa viagem. O regresso a Urbana demorou 2 dias e foi muito cansativo. Mas quem disse que as férias são para descansar estava completamente enganado! 

Nota: Aos que acompanharam estes meus relatos até ao fim, peço desculpa pela sua extensão, mas a verdade é que este blog está também a funcionar como um repositório de vivências para minha memória futura, pois os que me conhecem sabem bem que a minha memória tem tamanho micro!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Dallas, Texas

No segundo dia, saímos de Memphis a seguir ao almoço em direcção a Dallas, no Texas. Sete horas de viagem. O Texas é um dos maiores e mais populosos Estados Norte-Americanos, cerca de 7 vezes maior do que Portugal. Tem grandes áreas metropolitanas, sendo Dallas a terceira maior, a seguir a Houston e San Antonio.

Se em Memphis é obrigatório visitar a casa de Elvis Presley, em Dallas o must see é o local onde o Presidente Kennedy foi assassinado, assim como o Memorial e o Museu que existe no edifício (e andar) de onde o atirador, Lee Harvey Oswald, disparou os tiros fatais.

Mas antes de rumarmos ao local do crime, ainda fomos visitar o Nasher Sculpture Center, um centro de arte cuja colecção inclui obras de vários grandes artistas do Século XX, incluindo Rodin, Giacometti, Matisse, Miro e Picasso. Os miúdos, principalmente o Miguel e a Matilde, resistem sempre a idas a museus - mais um? perguntam sempre com aquele ar de enfado - mas se a colecção for diversificada, se não for exclusivamente pintura, acabam por passar um bom bocado e por aprender a gostar um bocadinho mais de arte!









E no Nasher Sculpture Center vivemos o nosso momento de suspense! Estavamos nós nos jardins do museu, onde muitas das esculturas estão, quando uma funcionária se aproximou de nós pedindo que fossemos para dentro do edifício porque havia uma "situation" a poucas milhas de distância e, por precaução, o museu queria fechar as suas portas. Lá fomos e pouco depois soubemos que tinham sido disparados uns tiros numa zona não muito distante e, até a situação estar sob controlo da polícia, aconselharam-nos a ficar dentro do museu. Foi o que fizemos e aos poucos íamos sabendo mais pormenores. Tratou-se de um tipo que se barricou no seu apartamento e disparou alguns tiros para a rua. Até a polícia conseguir controlar a situação (o que fez usando gás lacrimogéneo) e prender o tipo, as ruas próximas do local em causa foram fechadas ao público, assim como fecharam vários edifícios públicos e escolas. Actualmente, é assim, a sociedade americana está tão traumatizada com os tiroteios que há mais pequena coisa entram em lock down. Ninguém entra e ninguém sai, até ordens em contrário. 

Dali fomos, então, para a Deley Plaza, local onde o JFK foi assassinado. É um daqueles locais que transpiram solenidade, onde reina sempre um certo silêncio. Onde eu fico sempre com um bocadinho de pele de galinha! Não muito longe do local onde ocorreu o assassinato foi construído um Memorial. Muito simples, simples demais. Não é particularmente interessante. Muito mais interessante é o Museu que fizeram no andar do edifício em que o atirador disparou os tiros que atingiram e mataram o presidente. Chama-se apropriadamente The Sixth Floor Museum e nele podemos reviver muito mais do que o assassinato e os eventos que antecederam e que se seguiram a esse momento específico. Através de uma grande diversidade de materiais e partindo sempre da personalidade e actuação de JFK, podemos rever a história dos anos 60 na América. A exposição está muito bem feita e é muito interessante. Infelizmente não deixam tirar fotografias ...





( Edifício de onde foram disparados os tiros  - janela do 6º piso (penúltima a contar de cima), a primeira do lado direito)

De seguira ainda demos uma pequena volta a pé por Dallas, após o que partimos em direcção a Austin. Mais 3 horas de carro!






quarta-feira, 2 de abril de 2014

Memphis, Tennessee

A viagem que no Spring Break nos levou de Illinois ao Texas teve a sua primeira paragem em Memphis, Tennessee. Chegámos no Domingo ao fim do dia, jantámos e dormimos, que o cansaço da viagem era mais do que muito. Na 2ª feira de manhã, fomos visitar Graceland, a casa do Elvis Presley, transformada em museu. Um must see em Memphis!

É impressionante como conseguiram transformar a casa do cantor numa enorme atracção turística, classificada como um National Historic Landmark em 2006, que atrai milhares de pessoas por ano e gera milhões. A visita mais popular é a que, em cada ano, ocorre no dia do aniversário da sua morte, que se transforma numa verdadeira romaria. Como seria de esperar tudo está feito para glorificar a vida e a obra de Elvis Preysler, mostrando o bom e omitindo o mau. Sobre a sua adição aos medicamentos, que acabou por lhe causar uma morte prematura e os pormenores do seu divórcio nada se diz ...  

Lá fizemos o tour, de auscultadores nos ouvidos, para ir acompanhando a história da casa e do Elvis, à medida que visitávamos cada uma das divisões da parte social da casa  (o andar de cima está fechado ao público, para manter privado o que é privado) e o exterior, que inclui o Meditation Garden, onde Elvis Presley, os pais e a avó estão sepultados. Com um estilo muito kitch e algumas extravagâncias à mistura, a casa não é especialmente interessante. Mas sem dúvida que vale a pena mergulhar, por alguns minutos, na vida e obra deste icon cultural do Século XX.












Depois do tour, rumámos à downtown de Memphis, onde demos uma voltinha a pé pela parte que nos pareceu mais interessante, após o que entrámos, ao acaso, numa pizzaria. Acabou por ser uma boa aposta. Comemos umas excelentes pizzas. Na verdade, não querendo desmerecer as pizzas italianas, a verdade é que temos comido pizzas muito boas aqui na América!