quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Gerrymandering

Uma palavra muito estranha, que descreve uma realidade muito complexa e que se tornou um dos grandes problemas da política norte americana. Não sei porquê mas achei que este seria um bom tema no rescaldo do Carnaval e do dia dos Namorados (que dupla, valha-me Deus, como se um não fosse suficiente ...)

Mas o que significa gerrymandering? Muito resumidamente, significa a manipulação dos limites dos distritos eleitorais com o objectivo de beneficiar um determinado partido político em eleições. Através do gerrymandering, um partido consegue eleger mais representantes com menos votos. Imaginem por exemplo, umas eleições num determinado Estado, em que um partido consegue 60% do voto popular, mas por causa da forma como os distritos eleitorais estão divididos, só consegue eleger 40% dos candidatos aos lugares disponíveis. Um verdadeiro atentado aos princípios básicos da democracia, certo?

Infelizmente, uma prática que os Republicanos usaram (e abusaram) nos últimos anos para eleger mais representantes, muitos deles em distritos influentes. O abuso foi tal que se tornou num verdadeiro escândalo. Mas parece que os Democratas acordaram para a vida e estão finalmente a criar e a desenvolver estratégias a nível nacional (num esforço em que contam com o valioso apoio de Barak Obama, nesta sua nova vida pós White House) para, se não acabar, pelo menos reduzir substancialmente o problema quando decorrer a próxima grande reforma  dos mapas eleitorais a decorrer a nível nacional em 2021.

Sei que este é um problema demasiado técnico para atrair a atenção das massas, mas é suficientemente importante para que não seja ignorado. Para quem tiver curiosidade, este artigo do Washington Post descreve bem, ainda que de forma bastante simplista, o processo:
https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2015/03/01/this-is-the-best-explanation-of-gerrymandering-you-will-ever-see/?utm_term=.c8d88e6c2bcb

Costuma dizer-se que a democracia é um mal menor. Não é um regime perfeito, longe disso, e nunca será, porque é criado pelo ser humano e o ser humano não resiste a fazer merda, mas ainda não se conseguiu criar um melhor, que eu saiba, pelo que há que a acarinhar e proteger das poderosas investidas anti-democráticas que, nestes dias, parecem vir de todos os lados (mas de uns mais do que de outros).

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Experiências gastronómicas

Indiano e Vegan. Foram as experiências deste fim de semana, rico em sabores.

Na Sexta-feira fomos experimentar o novo restaurante indiano em Champaign. E ficou aprovado. Comida boa, e um espaço bonito e acolhedor. Que mais se pode pedir a um restaurante? Que não seja caro, já agora. Neste caso, os preços são médios, pelo que não sendo um sítio para se ir a toda a hora, dá para ir nas ocasiões especiais ou quando sentimos um desejo especial.

Os restaurantes indianos têm este dom de despertar vários dos nossos sentidos. Paladar, olfato, visão. Para além da comida propriamente dita (que, confesso, tenho sempre que escolher de forma criteriosa, já que não sou amante de comidas muito picantes), somos despertados pelos cheiros e pelas cores das especiarias, tão fortes, tão quentes, tão ricos. Um prazer que vai muito além da gastronomia.  

No Sábado fomos almoçar a um restaurante Vegan em Urbana. Comida bem mais simples, mais clean, mas igualmente saborosa. Num espaço também muito bonito e acolhedor. Tem sido uma descoberta boa destes últimos tempos. O sabor e a diversidade das opções vegetarianas, que felizmente são muitas e estão em todo o lado.

E enquanto isto, o meu excelentíssimo marido anda pela Nova Zelândia, num misto de trabalho e diversão, que a vida são dois dias e os matemáticos não brincam em serviço!
Se chalhar estou numa de compensar com comida ... Nunca uma boa ideia ...




Fotos do passeio ao Tongariro National Park

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Domingo não é o meu dia santo

Somos mesmo bichos de rotinas. Eu pelo menos sou. Ajuda o meu lado ligeiramente obcessivo. Aquele que gosta de tudo planeado e organizado. E por isso, lentamente deixei que uma rotina boa se instalasse nos meus fins-de-semana. E devo dizer que, por estas bandas, o dia santo não é ao Domingo! O meu dia santo é ao Sábado. Mas antes do dia, há que falar da noite santa, e a minha é à Sexta-feira. Prevísivel, eu sei. 

Sexta-feira é dia de jantar fora e beber uns copos. Normalmente com a minha amiga Sara, e quem mais se quiser juntar: maridos, filhos, outros amigos. E já nem perguntamos "se vamos", mas apenas "aonde vamos". Como não vivemos numa grande metrópole, as opções são algo limitadas, o que às vezes é um bocadinho frustrante, mas há que viver com o que se tem e aproveitar. E se calhar se vivessemos numa grande cidade cheia de bares e restaurantes cheios de pinta, acabariamos por ir sempre aos mesmos sítios, quem sabe ...

O Sábado de manhã é dia de apoiar o comércio local e fazer as compras "conscientes". Pão da padaria do senhor Carrillo, mexicano que cumpriu o seu sonho de viver na América e ser padeiro. Frutas e legumes produzidos pelos agricultores locais em quintas biológicas. De Maio a Novembro no Farmer's Market. Nos outros meses na Cooperativa de Urbana, onde também se compra o melhor humus das redondezas, e outras coisas muito vegan, que aos poucos vou explorando! 

O resto do dia de Sábado é para sornar. Ir ao café, passear e/ou aproveitar o sofá e as mantas (no Inverno), ou o sunroom (no Verão). E muitas vezes ao fim do dia, ou a seguir ao jantar, ir ao cinema. A dois, três ou em grupo que o pessoal das nossas movie nights são verdadeiros aficionados, e os maiores conhecedores de cinema que conheço. 

E num saltinho é Domingo e começa o countdown para a início da semana de trabalho. Mas não é um countdown doloroso, que já lá vai o tempo em que sofria do síndrome de Domingo à tarde, que me fazia sofrer por antecipação com a chegada da Segunda-feira e o regresso ao trabalho. De manhã vou (é suposto ir, e estou mesmo a tentar não falhar ...) ao ginásio e à tarde é a altura de tratar da roupa (lavar, secar, dobrar e arrumar, num ritual deveras desinteressante) e ir ao supermercado fazer as compras da semana. 

Claro que nem sempre sigo este guião, e ainda bem. Muito frequentemente, há eventos ocasionais que se intrometem, ou deixo que o improviso tome as rédeas dos acontecimentos, mas a maior parte dos meus fins-de-semana seguem esta rotina boa. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Trump bubble

Quão grande é a bolha em que vive o Trump, e a sua família, amigos e apoiantes fanáticos? Não sei, mas é grande o suficiente para que nos preocupemos com o futuro, para além de que tem uma comprovada capacidade de mobilização e conta com o apoio incondicional da poderosa Fox News, que se tornou no seu principal meio de comunicação de massas e que tem uma audiência de milhões. 

Mas mais preocupante ainda é ver os Republicanos mainstream, que não sendo seus apoiantes fanáticos, muito antes pelo contrário, engolem todos os sapos que ele diariamente lhes atira à cara, porque não querem perder, ou sequer pôr em risco, esta oportunidade única de aprovarem as políticas hiper-conservadoras de direita com que sonham há muitos anos e que até agora não tinham o aval da Casa Branca. E é vê-los a atacar o estado social, o ambiente, e as minorias; a reduzir os impostos das empresas e dos mais ricos e a desregular o mercado (e não só). Tudo a uma velocidade vertiginosa, que em Novembro há eleições intercalares e o risco de perderam a maioria na Câmara de Representantes e/ou Senado é real. 

O problema é que quando estas pessoas "normais" nada dizem, não reagem, remetem-se ao silêncio, numa cumplicidade (mais ou menos passiva) com as alarvidades que este presidente faz e diz numa escala nunca antes vista, a loucura normaliza-se, e isso é alarmante. 

Mas nem todos embarcam nesta loucura colectiva, há vozes dissonantes e há mesmo quem diga que o Partido Republicano está a seguir um caminho suicida, que levará à sua auto-destruição.  Ainda estamos a vários meses das eleições mas já foram vários os Republicanos que anunciaram que não se vão recandidatar porque temem o confronto com o seu eleitorado mais moderado que sendo conservador, não apoia incondicionalmente muitas das medidas mais radicais que têm sido aprovadas ou o discurso radical e lunático do presidente. Quero acreditar que há uma luz (ténua) ao fundo do túnel.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Ter mundo

Li esta expressão, este fim de semana, na crónica do Expresso do Daniel Oliveira. Falava ele de um juíz e dizia: "Talvez tenha a vantagem de só ter chegado a juiz aos quarenta anos, depois de passar pela docência e pela advocacia e tendo formação em direito mas também em filosofia. Ter mundo, coisa que falta a tantos magistrados, faz toda a diferença."

Tendo sido advogada durante 18 anos (nos quais estou generosamente a incluir os anos em que fui advogada estagiária), num escritório pequeno e generalista de Lisboa, em que as idas ao tribunal eram "o pão nosso de cada dia" (não tanto do "meu" dia, confesso, mas dos "nossos" dias), não podia estar mais de acordo.

Os tribunais julgam pessoas, tomam decisões que afectam as suas vidas, os seus bens, as suas relações pessoais ou profissionais. Por muito inteligente, bem formado e informado que seja, se um juiz não tem mundo, muito dificilmente consegue ler nas entrelinhas, perceber a "big picture", ver para além do óbvio ou do encenado (e há tanta encenação em tribunal). 

Naturalmente que ter experiência de vida não é tudo, longe disso. Cruzei-me com muitos juízes experientes, mas estúpidos ou ignorantes, o que era verdadeiramente desesperante, mas confesso que sempre que entrava numa sala de audiência e via um jovem a envergar a Beca, que parecia acabadinho de sair do CEJ, de tão verdinho que era, me preocupava seriamente com o desfecho do caso, pois que o conhecimento técnico, ainda que essencial, não é tudo. Nem por sombras. Que o ser humano é muito complexo, demasiado complexo.





sábado, 3 de fevereiro de 2018

Call me by your name

Um dos filmes mais bonito, terno, sensual, nostálgico, comovente, triste que já vi. Um filme que te faz sentir. As personagens, as cenas, os cenários, os diálogos, a música. Adorei a música e a lentidão do filme. Absolutamente imperdível.

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Comunicado (no dia em que faz 24 anos)

"Para aqueles que ainda não sabem, estamos muito felizes por partilhar que vamos casar no próximo dia 24 de Junho." Facebook da Mafalda, 28 de Janeiro de 2018





Parabéns, querida Mafalda! Duplamente, neste dia em que fazes 24 anos. Desejo do fundo do coração que a vida te sorria sempre, por muitos anos, ao lado dos que amas, a fazer o que gostas. Faz hoje 24 anos que a minha vida mudou para sempre. Há 24 anos que me desafias como mãe. E que desafio gigante! Talvez o maior da minha vida. Tenho a certeza que nem sempre acertei, que nem sempre tomei as melhores decisões ou disse as palavras certas no momento certo, mas tudo o que fiz foi sempre no pressuposto inabalável de que era o melhor para ti. Infelizmente, isto de ser mãe não vem com manual de instruções. Nem poderia vir, porque cada filho é único e irrepetível. Love you até ao infinito e mais além!