sábado, 12 de maio de 2018

Low expectations

Sempre que algo não corre bem e tenho que tentar resolver o assunto ligando para um daqueles números de atendimento geral em que somos atendidos por uma mensagem gravada, que nos dá meia dúzia de cenários diferentes e temos que ir seguindo instruções, carregando em teclas em busca da resposta que procuramos, acho sempre que a coisa vai correr mal, que vou perder imenso tempo e que no fim vou continuar com o problema por resolver. Para além de que fico sempre com um nervoso miudinho, a achar que não vou saber que número escolher porque aquelas cenas são feitas só para pessoas extremamente inteligentes e decididas ...

As expectativas são sempre tão baixas, que às vezes sou agradavelmente surpreendida. Muito recentemente aconteceu ter que, no mesmo dia, ligar para resolver 2 problemas relacionados com viagens de avião. Adiei o assunto o mais que pude, mas o Rui andava em cima de mim a chatear e lá resolvi ligar.

O primeiro telefonema foi para a American Airlines. Tinha recebido um e-mail a informar que tinha 13.000 milhas a expirar em Setembro e como queria ir a Minneapolis visitar o Miguel achei que era uma excelente oportunidade para as usar. Lá tentei fazer a reserva on line no site da American Airlines, mas quando chegou a altura de escrever o meu nome, não consegui, porque o espaço disponível para o apelido não aguenta 4 nomes! E como estava a tentar fazer a reserva usando as milhas, tinha que escrever  o meu nome como está no meu cartão da AA ( nome completo, no mesmo formato que tenho no passaporte - 2 nomes próprios e 4 apelidos - um exagero, eu sei). Ainda consegui contornar o problema e tentei fazer a reserva com o nome como o tenho na carta de condução americana (que é o documento que se usa para viajar internamente), mas quando tentei pagar uma pequena quantia não coberta pelas milhas, não consegui porque o nome que tenho na carta de condução, também não condiz com o nome que tenho no cartão de crédito. Um nome composto por 6 nomes permite várias combinações e eu, claramente, não me fiz rogada! Lá telefonei para a American Airlines, escolhi a última opção - falar com uma pessoa - e eis que sou atendida, quase de imediato, por uma moça super simpática, que em 3 tempos resolveu o problema. Fez a reserva, eu paguei e nem 5 minutos depois recebo um e-mail com toda a informação!

O segundo telefonema foi para a Expedia e estava relacionado com a minha viagem para ir a Portugal no Verão. Uns dias antes tinha recebido um email a informar que o meu voo de regresso aos USA tinha sido antecipado um dia - uma chatice, pensei eu, menos um dia em Portugal, mas lá me conformei. O problema é que só mudaram o primeiro voo, pelo que tinhamos que ficar um dia inteiro em Toronto, à espera do segundo voo para Chicago. Até podiamos aproveitar e visitar a cidade, mas acontece que umas semanas mais tarde temos programada uma escapadela a Toronto a aproveitar uma ida do Rui a uma conferência, pelo que ficar lá um dia, no final das férias, quando o que mais queremos é chegar a casa, não me pareceu minimamente interessante. Resolvi então que o melhor era tentar antecipar também o segundo voo e vai daí que liguei para a Expedia. Sou recebida, claro, com uma mensagem gravada a informar que o tempo de espera para ser atendida era superior a uma hora, mas que eu podia optar por desligar que eles me ligavam de volta quando chegasse a minha vez de ser atendida. Lá escolhi essa opção, com relutância, a achar que bem podia esperar sentada pelo telefonema deles. Eis senão quando, passado pouco mais de uma hora, me liga uma senhora, super simpática, prestável e eficiente, que me mudou o voo sem qualquer problema.

Nada disto é extraordinário, afinal de contas, aquelas pessoas apenas fizeram o que lhes competia, de forma profissional, mas as minhas expectativas eram tão baixas, que achei que só forças sobrenaturais poderiam ser responsáveis por tais feitos. Mas se calhar não foi sorte, e estas companhias já perceberam que neste novo mundo dominado pelas compras on line, extremamente competitivo, o serviço telefónico ao cliente tem que estar à altura, sob pena de matarem a galinha dos ovos de ouro.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Amigos

No fim de semana passado, festejámos em grande os 50 + 1 da minha amiga Sara, que tenho o privilégio de conhecer desde os primeiros tempos em Urbana. Conhecemo-nos na High School, onde os nossos filhos eram colegas, e rapidamente nos tornámos amigas, e aos poucos inseparáveis. É com ela que faço as minhas "noitadas" de Sexta-feira, é a ela que mando uma mensagem quando a meio do fim de semana me apetece sair e ir tomar um café. É com ela que partilho as coisas boas e também as menos boas. Sei o que ela gosta, e como vai reagir nas mais diversas situações. Acho que uma das razões pelas quais nasceu entre nós uma enorme cumplicidada é o facto de as nossas vidas, apesar de só se terem cruzado muito recentemente, apresentarem uma série de paralelismos engraçados. 

Há quem ache que os grandes amigos são aqueles que fazemos quando somos mais novos, porque nos acompanham desde sempre e estiveram presentes em todas as diferentes fases da nossa vida; há ainda quem ache que se temos a sorte de ter bons amigos, não há necessidade, nem espaço, para novos. Eu não acho nada disso. Adoro os meus amigos de sempre e sou uma sortuda porque tenho muitos. Mas há sempre espaço para novos, que têm o condão de nos ajudar a descobrir um bocadinho mais de mundo, e isso é tão bom. Certamente que o facto de, ao longo da minha vida adulta, ter vivido em vários locais diferentes, fez com que não me "acomodasse", mas tenho a certeza que não é preciso atravessar o Atlântico para fazer novos amigos! Basta olhar com atenção à nossa volta, baixar a guarda e deixar as pessoas entrar. Obviamente que nem todas se vão tornar nossas amigas, mas se tivermos sorte vamos encontrando ao longo da vida algumas que vieram para ficar e ficaram mesmo.
 

Sara, 14 de Abril de 2018

 
Aqui com o seu mais  que tudo, Victor, o nosso guru cinematográfico, 
que é das pessoas mais genuinamente boas 
e interessantes que conheço.

domingo, 15 de abril de 2018

Psicanálise barata

Me: "I need some help around here!"

Also me: "No, no ... not like that. Here, let me ..."



Frases roubadas de um qualquer Instagram, que quando li pensei logo "yap, that's me". Mas depois pensando melhor, concluí que, na verdade, essa não sou eu. Eu não peço ajuda, porque (ahahah) ninguém faz as coisas (tão bem) como eu. Sim, isto é o que eu efectivamente penso. Seja fazer a cama, arrumar a cozinha, dobrar a roupa acabada de secar, ou qualquer outra tarefa do género, ninguém faz como eu, e o meu eu (ligeiramente) obsessivo não sabe lidar com isso. E pensa que mais vale fazer já, do que depois vir por trás e ter que refazer o que alguém fez mal. Como se estivessemos a falar de tarefas altamente qualificadas que só um ser treinado ao mais alto nível conseguisse fazer. E o pior de tudo é que apesar de ter lucidez suficiente para esta auto-crítica, depois nunca dou o passo seguinte de passar das palavras à acção. Talvez um dia ...

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Gerações




Terça-feira passada. O Rui com o Ivan e o Dan. Ivan foi o seu primeiro estudante de doutoramento. Hoje é Professor na Universidade de S. Paulo. O Dan é o seu mais recente doutorado. Defendeu a tese na semana passada e decidiu não prosseguir a vida académica. Vai para Londres, trabalhar no mercado financeiro. Duas opções de vida muito diferentes. Não tenho dúvidas que no mercado financeiro se faz mais dinheiro, muito mais dinheiro, se se for minimamente bem sucedido, mas a vida académica dá-te uma liberdade e uma independência que dificilmente se encontra em outras profissões, e isso vale muito. Vão por mim que vivo rodeada de académicos há mais de 2 décadas.

domingo, 25 de março de 2018

Spring break

Ah, Ah, Ah ...

 



Foi assim este ano. Em casa e com neve. E tivemos a visita do nosso amigo Ivan, meio Carioca, meio Paulista, que é uma excelente companhia e um óptimo cozinheiro!

Pensamento positivo: Talvez tenha sido o último nevão deste Inverno ... 
 

sábado, 24 de março de 2018

March for ...


March for Life vs. March for our lives

Muito diferente. Mas à vista desarmada, para os mais desatentos ou menos informados, pode parecer a mesma coisa. Vivemos na era dos slogans e dos sound bytes, da mensagem rápida e eficaz, onde cada palavrinha vale muito. E neste caso, falamos de coisas muito diferentes.

March for life são as tradicionais manifestações contra o aborto. Muito frequentes nas últimas décadas, principalmente em momentos eleitorais ou quando algum Estado ou o governo federal legisla sobre esta matéria. Mas não só. Em algumas cidades, normalmente pequenas cidades, algumas destas manifestações existem em permanência em frente às clínicas onde se fazem abortos. São normalmente promovidas e apoiadas por republicanos conservadores e organizações religiosas cristãs.

March for our lives são as manifestações que hoje decorrem um pouco por todo a América (e não só), mas principalmente em Washington DC, onde convergiram milhares de pessoas, contra a violência causada pelas armas (gun violence). Os seus mentores iniciais foram estudantes da Florida, sobreviventes do último massacre numa escola de Parkland, mas rapidamente receberam o apoio de muitos políticos, grupos anti-armas, intelectuais e artistas. As fotos aéreas de algumas destas manifestações são impressionantes pela mancha humana que mostram, mas não nos iludemos, a América profunda é maioritariamente pro-guns, e já nos mostraram que são igualmente capazes de se mobilizarem, ainda que normalmente não em manifestações de rua.

Acabei de ir buscar a Matilde à que foi organizada aqui em Urbana-Champaign, pequena, como seria de esperar, mas ainda assim bem concorrida, apesar de estar muito frio e a nevar à horas ... 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Café Paradiso

No outro dia um blogger partilhava os seus locais preferidos para trabalhar (em Lisboa) e revi-me muito no que dizia sobre o quanto gosta de trabalhar em certos locais públicos e como cada vez é mais fácil e há mais gente a fazê-lo neste mercado laboral global e tecnológico. E não, não estou a falar de bibliotecas, apesar de haver muitas que são bem simpáticas e convidam mesmo a que nos sentemos a ler e/ou a escrever.

Ele referia-se a trabalhar em cafés, e foi com isso que me identifiquei. Não é qualquer café, naturalmente. Têm que ser simpáticos, calmos, com bom ambiente, boa música de fundo, boa comida e principalmente bom wi-fi. Gosto muito da ideia de estar sózinha acompanhada. Urbana, apesar de ser uma cidade pequena, como tem uma população universitária muito grande, tem vários cafés que preenchem muito bem os requisitos (salvo, talvez, a parte da "boa comida", mas isso é um caso perdido neste país!)
 
Infelizmente tenho um trabalho em que tenho que estar fisicamente no gabinete, todo o dia de segunda a sexta, caso contrário acho que seria muito feliz a trabalhar em alguns destes cafés. Em Urbana,  o meu preferido é o café Paradiso. Muito despretensioso e colorido, com um certo ar vintage que lhe é dado pela mobília em madeira toda desemparelhada, como se tivesse sido re-aproveitada (e muita foi) dos mais variados sítios. Nos primeiros tempos, antes de começar a trabalhar, passava lá uma boa parte da manhã quase todos os dias. Actualmente só consigo ir aos fins de semana e vamos muitas vezes. Tenho pena de não ir mais!