domingo, 10 de dezembro de 2017

Detalhes natalícios!



Há muito que a Matilde queria fazer uma gingerbread houseEste ano, foi o ano e acho que para primeira experiência não ficou nada mal! Comprámos o kit e ela passou um serão inteiro a montar e decorar a casinha (ao som de música natalícia!). Mas decidimos usá-la apenas para fins decorativos, que a lista dos ingredientes era longa de mais ...




Esta é a (faked) árvore de natal que já nos acompanha há alguns anos, provavelmente desde o Natal de 2013, mas não tenho a certeza absoluta se a comprámos logo no primeiro ano. Sei que não é tão charmosa e bem cheirosa como os pinheiros naturais, mas tem o tamanho ideal para o cantinho que lhe está reservado e não suja a sala!


Todos os anos a Matilde quer que eu compre meias grandes para substituir estas minis que ponho na lareira, mas descobri que dou mais valor a esta coisa da "tradição" do que pensava e já não as consigo substituir sem achar que estou a dar uma facada pelas costas nos últimos 4 Natais!



DIY by Teresa Loja, que atravessou o Atlântico no Verão de 2013 dentro de um contentor. Tradição ao rubro! E que bem que fica na porta principal da nossa casa. 


Mas nem tudo é "velho". Estas são algumas das peças que comprei mais recentemente, com um toque mais moderno e nórdico (nórdico e colorido, quem diria ...). 


E este é o cantinho oposto da prateleira que fica por cima da nossa lareira. Mais umas aquisições recentes que compõem o ramalhete. É sempre engraçado ver como o nosso gosto muda/evolui ao longo dos tempos. Todos os anos há pelo menos mais uma peça que não passa o teste do tempo e acaba por ficar dentro da caixa. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sugestões cinematográficas

Recentemente fomos ao cinema ver 2 filmes de que gostei muito. Duas experiências totalmente diferentes, mas muito boas e que recomendo.

No Thanksgiving consegui "arrastar" a família toda ao cinema, numa rara actividade a 5. Escolher o filme não foi fácil, e o único que obteve o consenso, ainda que com alguma resistência inicial por parte de alguns dos envolvidos, foi o último filme da Pixar, Coco. E a Pixar voltou a não desiludir. A história de Coco centra-se numa família mexicana, que vive numa pequena aldeia no México, e é retratada de uma forma muito cândida e carinhosa, sem recursos aos habituais estereótipos americanos sobre os seus vizinhos do sul. Um filme sobre a família, sonhos, tradições, e a morte (só se morre verdadeiramente quando nenhum vivo se recorda de nós), que se desenvolve em vários graus de complexidade, transformando um filme para crianças num filme que toda a família gosta. Delicioso!

Uns dias mais tarde, fui com uns amigos ver Lady Birth, cuja história se desenrola em Sacramento, cidade considerada (fiquei a saber), o midwest da Califórnia e conta a história de uma adolescente naquela fase de transição entre o fim da High School e a ida para a Universidade, fase que aqui nos Estados Unidos têm um significado muito mais marcante e abrangente do que na Europa, já que representa o momento em que a grande maioria dos jovens saiem de casa dos pais para, regra geral, não mais voltar (excepto para passar férias ou outras visitas ocasionais, normalmente em épocas festivas). Lady Birth, vive no seio de uma família da classe média baixa, com uma mãe de temperamento forte, passivo-agressiva, um pai bonzinho, mas muito mais low profile e uma melhor amiga pouco cool. É um filme mesmo à minha media, sobre pessoas, famílias, relações (familiares, de amizade e amorosas), muito humano, com excelentes representações. 

Ontem, vi na televisão, via Amazon Prime, um filme de que também gostei muito, baseado em factos reais, chamado The Big Sick e que conta a história da relação entre um comediante em ínico de carreira de origem paquistanesa e uma estudante americana. Um choque de culturas, tão complicado de gerir, e que os filhos dos imigrantes sofrem na pele de forma muito marcante - de um lado a família e as tradições do seu país de origem. Do outro lado, os  amigos, a escola e toda a realidade do país em que vivem o seu dia-a-dia e em que estão inseridos de uma forma muito mais profunda do que os pais, que regra geral, conseguem manter um relativo distanciamento. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Burocracias à portuguesa

Este país pode ter muitos defeitos, que os tem, mas regra geral as coisas funcionam bem, quer no sector privado, quer no público. Não há grandes burocracias, as pessoas e os serviços são eficientes. Nem tudo é perfeito, claro (por exemplo o sector bancário deixa muito a desejar, comparado com o Europeu) mas não temos grandes razões de queixa. Até que precisámos de fazer uma procuração para mandar para Portugal...

Ora, nos Estados Unidos não há notários, pelo que tivemos que recorrer aos Serviços Consulares Portugueses, e descobrimos que há um Cônsul Honorário em Chicago. Contactei-o por email, e depois de vários emails trocados, ele marcou um dia e hora para irmos ao seu escritório fazer a procuração. "Meti" o dia de férias (sempre achei muito esquisito dizer-se "meter férias") e rumámos a Chicago. Chegámos cedo, pelo que ainda deu para dar uma volta e almoçar, e há hora marcada lá estávamos no escritório do Cônsul. Ou melhor, lá estávamos na recepção do prédio onde o Cônsul tem o seu escritório, uma daquelas torres gigantes na downtown. E a recepção foi a única coisa que vimos, mesmo. O nosso nome não estava na portaria (o que nos devia logo ter posto de sobreaviso ...) pelo que não nos deixaram subir. A recepcionista telefonou "lá para cima" e parece que a nossa marcação não estava na agenda do Cônsul. Esperámos 1 hora na portaria, sempre a tentar contactá-lo por telefone (e a deixar mensagens progressivamente menos simpáticas na caixa de mensagens), mas o dito nem sequer se dignou a falar connosco, pelo que voltámos para casa sem a procuração e com uma carga de nervos em cima. Perdi um dia de férias, fizemos 400 quilómetros de carro, mas o pior de tudo é esta sensação de irresponsabilidade e falta de respeito que nos deixa mesmo frustrados. 

Vínhamos na viagem de regresso a casa quando recebemos um telefonema do Cônsul. Estava claramente pouco satisfeito com as mensagens que lhe deixámos no telefone e ainda tentou justificar-se, mas lá acabou por pedir desculpa, apesar de ainda ter tentado culpar a secretária (sem razão, diga-se, que a marcação foi feita directamente por ele). No final do telefonema disponibilizou-se para fazer nova marcação, mas a minha resposta foi imediata: Não, obrigada!

domingo, 26 de novembro de 2017

O melhor do meu Thanksgiving




Tê-los em casa. Aos três. Ao mesmo tempo. É sempre uma visita breve, mas tão boa! Nestes momentos, o tempo passa ainda mais rápido do que o habitual e entre dar-lhes o beijinho de boas-vindas e o de despedida tentamos encaixar tanta coisa e fica sempre tanta coisa por fazer. Acima de tudo quero que se sintam bem em casa, que queiram sempre voltar, e que voltem para as suas vidas com o coração cheio, como o meu fica nestas alturas. Venha o Natal!

P.S. Devia ter avisado que este era um post lamechas!

sábado, 25 de novembro de 2017

A Portuguese-Australian-Italo-Swedish-Spanish-American Thanksgiving!

Cuidado, o título pode induzir-vos em erro. Tivemos um Thanksgiving muito multicultural, sem dúvida, em termos de nacionalidades representadas à mesa, mas muito americano em (quase) tudo o resto, e nem poderia ter sido de outra maneira ou não fosse esta uma das mais importantes festas americanas.  E como se costuma dizer, "em Roma, sê Romano". Houve, claro, perú assado recheado, doce de cranberry, bata doce, feijão verde, e tarte de abóbora. Mas também houve tortilla espanhola, arroz à portuguesa e bolo de chocolate da Mafalda! 

Este ano, o jantar foi em nossa casa, pelo que ficou a nosso cargo assar o perú. Uma grande responsabilidade! Mas descobri alguns truques, o mais importante deles de que se pode assar o perú dentro de um saco (próprio para o efeito) que, não só acelera a assadura (demorou cerca de 2,5 horas), mas também evita que o perú fique muito seco. E ficou muito bom. Infelizmente comeu-se quase todo... Partir o perú, principalmente um com quase 7 Kg, é sempre um desafio, felizmente há o google ... e o Stephen. Estava a Cecília e a Mafalda, de tesoura em riste, a googlar "how to carve a turkey", quando chegaram os nossos amigos Stephen & Catherine, mesmo a tempo de o único americano presente exibir os seus dotes e a sua experiência de muitos anos! 

Como disse uma amiga, apesar de todos os ups and downs (e ultimamente os downs têm sido mais do que muitos) há que agradecer a este país a oportunidade e a naturalidade de nos sentarmos à mesa com pessoas oriundas de tantos países diferentes para celebrar o Thanksgiving. E se há coisa que aprecio, e agradeço, é esta vivência multicultural, de que usufruo todos os diase que enriquece mais do que muitas aulas de história. 





sábado, 18 de novembro de 2017

É de pequeno que se torce o pepino

Aqui nos Estados Unidos é muito frequente os miúdos começarem a trabalhar muito cedo. Normalmente arranjam o primeiro trabalho quando ainda andam na escola secundária, seja durante o ano lectivo, depois das aulas, seja nas férias, principalmente nas do Verão. Uns por necessidade, para ajudar as famílias, mas muitos outros apenas porque querem começar a ganhar algum dinheiro para as suas coisas. É uma questão cultural, sem dúvida, em que se valoriza muito a produtividade e a iniciativa privada, mas é também uma questão de natureza económica. Há trabalhos que em Portugal são considerados uma profissão, e que são exercidos por adultos a tempo inteiro, que por aqui são maioritariamente feitos por jovens, que os fazem em regime de part time, em simultâneo com os estudos, desde os seus 16 anos até acabarem a Universidade ou até arranjarem um emprego "a sério". O melhor exemplo é o de empregado de café/bar/restaurante, onde é raro encontrar empregados mais velhos que daquilo fizeram a sua profissão, mas há muitos outros. A oferta é enorme e muito diversificada.

A Mafalda trabalhou numa das bibliotecas da Universidade durante os 3 anos da licenciatura que fez cá, onde em claro contraste com o que acontece em Portugal, o trabalho é assegurado maioritariamente por estudantes. Trabalhava entre 10 e 12 horas por semana, e ganhava entre 400 e 500 dólares por mês. Foi óptimo, fez-lhe muito bem ter essa responsabilidade, um horário de trabalho e um supervisor a quem prestava contas. E, no caso dela, teve ainda a vantagem de a obrigar a levantar-se da secretária e a largar os livros e o computador por umas horitas!


O Miguel começou este ano a trabalhar numa "convenient store" da Universidade, uma lojinha no campus que vende snacks, bebidas, doces, jornais e coisas do género. Tal como a Mafalda, trabalha entre 10 e 12 horas por semana, e ganha cerca de 500 dólares por mês. Faz de tudo um pouco - trabalha na caixa, repõe stock nas prateleiras, limpa a loja, e o que mais houver para fazer. Foi uma decisão dele (ao contrário da Mafalda que teve que ser empurrada), e que lhe está a sair do pêlo já que em alguns dias da semana entra às 7:30 da manhã o que o obriga a levantar muito cedo, mas, pelo menos para já, não o vejo com  intenção de desistir. 

E agora chegou a vez da Matilde! A mãe de uma amiga dela é diretora de um espaço infantil em Urbana, que é um misto de museu da criança e espaço de diversões - SPARK Museum + Play Café. Assim que fez 14 anos (idade mínima para trabalhar) que espera uma vaga de monitora, o que finalmente aconteceu.
Está toda contente, porque conhece bem o espaço e tem várias amigas que trabalham lá e, claro, porque vai ganhar dinheiro! Já fez o estágio, já foi ao seu primeiro staff meeting, e já teve que preencher e assinar papéis para o IRS. Está a sentir-se muito crescida!

A regra é sempre a de que o trabalho não é a prioridade deles - a escola é o seu full-time job e só lhes está disponível se e enquanto não prejudicar o estudo e os trabalhos de casa. E o que tenho verificado é que esta ocupação extra lhes faz bem e não prejudica. Por um lado, obriga-os a ser mais eficientes e mais organizados para conseguir conciliar tudo o que têm para fazer. E por outra lado, dá-lhes a conhecer uma nova realidade, bastante diferente dos espaços a que estão habituados, bastante mais hierarquizado e regrado, onde não ditam as regras e onde normalmente não são o centro das atenções. Até agora uma experiência positiva, sem dúvida.

sábado, 11 de novembro de 2017

Cozinha

Renovar a cozinha foi o meu projecto deste Verão. Demorou muito mais do que inicialmente previsto (como sempre). Uma chatice (comecei por escrever "um inferno"; depois mudei para "um pesadelo". Mas não é verdade. Foi apenas uma chatice. Não quero ser melodramática, nem quero desrespeitar quem sofre verdadeiros infernos e pesadelos). Foi uma chatice, que nos obrigou a alterar as rotinas e que me obrigou a mim, pessoa ligeiramente obsessiva, a viver sem que tudo estivesse imaculadamente no seu preciso lugar. Um desafio!

Valeram-nos os amigos, mais precisamente os nossos amigos (e vizinhos) Sara e Victor, que nos deixaram as chaves da sua casa e um livre trânsito para usarmos a sua cozinha enquanto estavam de férias em Barcelona. E quando voltaram e verificaram que ainda tínhamos 2 semanas de obras pela frente, fizeram dos jantares a 8 a sua (nossa) rotina. Valeram-nos os amigos que são família. 



Antes:




Depois: