sábado, 17 de junho de 2017

Vícios (bons) de Verão

Já se está a tornar uma tradição isto de passar os serões destas longas (e estupidamente quentes) noites de Verão a ver comédias na televisão, e quando digo "passar os serões a ver comédias na televisão" quero dizer vários episódios por noite, uns a seguir aos outros, tipo vício mesmo. O ano passado foi o The Office. Este ano tem sido Parks & Recreation e Malcom in the Middle. Sempre sob recomendação do Miguel, que é fan! É o nosso programa e como eu gosto disto!  O Miguel vai vendo com alguma intermitência, já que muitas vezes tem programas fora com os amigos (mas normalmente ainda consegue ver um episódio antes de sair). Mas ele não se importa que eu avance, pois já as viu! 

Devo dizer que tal só é possível porque o Rui não está cá, o que liberta o comando do seu domínio infernal. O Rui é viciado na televisão (como qualquer viciado, se o confrontar ele negará veementemente!). A verdade é que sempre que ele está em casa, a televisão está ligada, não importa se ele está efectivamente a ver alguma coisa ou não. Muitas vezes até está, outras vezes é só mesmo para ter barulho de fundo. E muito provavelmente está ligada em uma das seguintes coisas: notícias ou desporto. Também gosta de séries e temos sempre uma ou duas que vemos regularmente, mas isso é à noite, depois do jantar, naquelas 2 horitas antes de irmos para a cama.  Com ele vejo dramas com acção, policiais, e coisas do género - Breaking Bad, Better Call SaulBlacklist, 24, House of Cards e coisas do género. Comédias não é muito o seu género, descontando o Seinfeld, claro, segundo ele, a melhor sitcom de todos os tempos! Do tipo, depois de ver Seinfeld, não vale a pena ver mais nada! 



terça-feira, 13 de junho de 2017

Summer Camp

Esta semana, a Matilde está num Summer Camp com uma amiga, num parque que fica a cerca de 50 Km de Urbana. 




E sempre que a levo lá mergulho num daqueles episódios de nostalgia aguda, que inviavelmente originam nos meus filhos um enorme revirar de olhos e aquela expressão que é um misto de puro enfado com umas pinceladas de gozo.

A primeira vez que a Matilde passou uma  noite em Allerton foi em Setembro de 2013, pouco mais de 1 mês depois de termos aqui chegado. E desde essa altura que tem ido todos os anos. Primeiro foi com a antiga escola que todos os anos faz uma espécie de "retiro" no início do ano lectivo para que as novas alunas conheçam o resto das colegas e as antigas se re-encontrem antes do início formal das aulas. O ano passado e este ano foi para um Summer Camp.

Lembro-me como se fosse hoje, a primeira vez que a deixei lá e voltei para casa de coração apertado. A Matilde tinha então 10 anos, não conhecia ninguém, praticamente não falava inglês e percebia muito pouco do que lhe diziam. Mas nunca disse que não queria ficar, não exteriorizou nenhum nervosismo quando me despedi e vim embora, e quando no dia seguinte voltei para a ir buscar, encontrei-a de sorriso no rosto. Desde esse dia e durante aqueles primeiros meses fez um esforço gigante para se enturmar, mesmo quando à noite chorava de saudades das amigas de Portugal e de frustração porque os obstáculos e as dificuldades pareciam inultrapassáveis. 


Tantas vezes lhe disse que iria chegar o dia em que ela se iria sentir completamente à vontade com o inglês. Que chegaria o dia em que falar em inglês lhe iria ser mais natural do que falar em português. Que chegaria o dia em que iria pensar e sonhar em inglês. Ela não acreditava, mas claro que a mãe tinha razão! E esse dia, já chegou. O inglês está a tornar-se a sua primeira língua. Acho que é inevitável, quando a escola e toda a sua vida social é feita em inglês. E se em relação ao português falado a coisa ainda está sob controlo, pois falamos português em casa, o português escrito está a ficar cada vez mais para trás, e é muito difícil combater isso.
 Raramente escreve em português e já não gosta de ler em português e eu, confesso, pouco tenho feito para remar contra a maré. 

sábado, 3 de junho de 2017

Camping Trip

Seis putos, 1 carro e muita tralha. O destino: Shawnee National Forest, no Sul do Illinois. Espero que corra bem. Se não correr não é por falta de planeamento. Vários encontros para decidirem para onde ir e o que levar. Escolheram vários percursos para fazer a pé e sítios para acampar. Passaram 4 horas no Supermercado a fazer compras. Levaram mapas, bússola e lanternas. Muita comida e muitas garrafas de água. Pouca roupa, 1 tenda e nenhum saco cama. Já não havia espaço. Espero que se divirtam! E que tenham juízo!





domingo, 28 de maio de 2017

O Amor Acontece

Ontem à noite revi o filme Love Actually/O Amor Acontece, que tinha visto em 2003 quando estreou. Já tinha passado por ele várias vezes, quando faço zapping no Netflix, e pensava sempre que tinha que o rever. Ontem foi o dia! Durante a tarde encontrei, através de um link num blog, um artigo na Vogue com a lista das "51 Best Romantic Comedies of All Time" (quem não gosta destas listas que atire a primeira pedra) e, entre muitos outros, que fiquei com imensa vontade de ver ou rever, lá estava O Amor Acontece e logo ali pensei "hoje não me escapa"!

Lembrava-me do filme muito no geral. Fragmentos de cenas, imagens de alguns dos actores que participam (incluindo a nossa Lúcia Moniz, claro!), mas foi (quase) como se o estivesse a ver pela  primeira vez. E gostei muito. Definitivamente uma comédia romântica/filme de Natal que recomendo (a quem goste do género, claro). Várias coisas me surpreenderam, a começar pelo incrível conjunto de actores muito conhecidos que participam - Liam Neeson, Emma Thompson, Hugh Grant, Colin Firth, Keira Knightley, Rowan Atkinson, para só mencionar os que são mesmo muito conhecidos. Que a lista continua com diversos outros actores de renome. Alguns lembrava-me, mas de outros nem por isso.

Outra coisa de que já não me lembrava era da forma como os emigrantes portugueses em França são retratados no filme. Deprimente, Desde o aspecto, à linguagem, sempre aquela imagem estereotipada de campónios e incultos. Não a personagem da Lúcia Moniz, que escapa, mas da família (o pai e a irmã). Para quem não viu o filme (ou não se lembra), em determinada altura, a personagem do Colin Firth vai para uma pequena cottage em França, para escapar de um desgosto amoroso e se concentrar na escrita, e a empregada da casa onde ele fica, a Aurélia, é a personagem da Lúcia Moniz. Apesar de não se entenderem (ela não fala inglês e ele não fala português), apaixonam-se e eis que, após algum tempo e muito empenho, vemos o Colin Firth a declarar-se em português!



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Já vi o preview do Amor Acontece 2, que se passa na actualidade e que nos vai mostrar o que aconteceu aos vários personagens. E digamos que, tal como o comum dos mortais, alguns actores envelheceram melhor do que outros! 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A minha janela!

Ao fim de 3 anos, mudei-me finalmente para um gabinete com janela! Sim, já fez 3 anos que comecei a trabalhar no OSP (Office of Sponsored Programs). E sim, até há um mês atrás, passava 8 horas do meu dia enfiada num gabinete sem janela, só com luz artificial, e nunca pensei que isso me afectasse tanto. A porta tinha que estar sempre aberta (só a fechava quando tinha alguma reunião ou telefonema que exigia algum recato), de outra maneira sentia-me claustrofóbica. Outra coisa que me fazia impressão era nunca saber como estava o dia lá fora. Frequentemente quando a meio ou ao fim do dia, saía, ficava surpreendida com o tempo que encontrava. Sol, chuva, tudo escuro, cinzento ou enevoado. 

Comecei a reclamar um gabinete com janela, em tom de brincadeira, mas não era fácil, considerando que mais ou menos metade dos gabinetes são virados para o lado de dentro e por isso não têm janela. A minha esperança era que, com a grande mobilidade laboral que há neste país, cedo eu deixaria de ser uma das mais novas! Sim, ter um gabinete com janela não é para rookies! E eis que no início deste ano, a par de uma re-estruturação do gabinete, a mudança começou a adquirir contornos reais. E finalmente há umas semanas atrás ganhei uma janela e, de caminho, fui promovida a Assistant Director! Mas disso falarei noutra altura.





terça-feira, 23 de maio de 2017

In a blink of an eye!



(Algarve, 2004)


(Urbana, 2017)


Inspirada nas fotos que, há uns meses atrás, invadiram o facebook - fotografias de 4 irmãs, tiradas anualmente pelo marido de uma delas, durante 40 anos - decidi começar a fotografar os meus filhos, na mesma posição, sempre que eles se encontram os 3, o que actualmente acontece para aí umas 4 vezes por ano ... A foto acima foi a segunda que lhes tirei, durante o Spring Break (Março) deste ano. Daqui a uns anos espero ter uma boa coleção, ou não ... se eles resolverem boicotar a minha ideia! 

Entretanto, as famosas fotos das 4 irmãs foram publicadas em livro. Aqui fica a primeira e a última. Impressionante os efeitos da passagem do tempo!

 (1975)

 (2014)



sábado, 20 de maio de 2017

Life goes on

Nos últimos tempos, tenho andado mais afastada deste meu cantinho. Tenho escrito muito menos do que gostaria. Mas muitas coisas aconteceram, algumas certamente dignas de registo, mas não tenho conseguido escapar à voragem do dia a dia, que me consome as energias e me deixa muito pouco tempo livre. Sei que falo de barriga cheia, já que tenho um horário de trabalho que me liberta relativamente cedo e vivo no local menos stressante que posso imaginar. Mas ainda assim parece que nunca tenho tempo. 

O Rui, Mafalda e Miguel, já acabaram as aulas, o que ainda me custa a acreditar. Parece que foi ontem que fui levar a Mafalda a Boston e o Miguel a Minneapolis, para começarem um dos mais intensos anos das suas vidas. E assim, num piscar de olhos (para mim, que eles ainda vivem noutro comprimento de onda), o ano lectivo acabou. Fui visitá-los muito menos do que queria, mas, lá está, o tempo não estica e, infelizmente, não dá para tudo. Agora, que começo a planear o próximo ano lectivo, fica a promessa (feita a mim própria) de ir mais vezes visitá-los. Estar com eles. Observá-los no seu espaço.

Entretanto, o Rui e a Mafalda já cruzaram o Atlântico. Enquanto que o Miguel já voltou para casa e vai lentamente retomando as velhas rotinas e o convívio com os seus amigos da High School. Tão bom ver que continuam amigos. Noto-o diferente, mais independente. Ter vivido sozinho estes últimos meses fê-lo crescer, deu-lhe confiança e determinação. Já não admite que eu lhe faça certas coisas, como se isso fosse uma ataque à sua adulthood! Deita-se tarde, dorme toda a manhã e passa a tarde deitado no sofá. Oh, férias de Verão! Como me lembro tão bem destes 3 meses de ócio! 

Por aqui é muito comum os miúdos a partir dos 16 anos arranjarem um Summer job. Assim que acabam as aulas, começam a trabalhar, num misto de ganharem algum dinheiro para si (e às vezes para a família) e de "fazerem currículo". Não é muito bem visto que se vá à procura do primeiro emprego com vinte e tal anos, sem nunca ter trabalhado antes. Por outro lado  como não há o hábito de as famílias irem de férias mais do que uma semana, o miúdos acabam por ficar em casa muito tempo, o que também incentiva a que arranjem alguma coisa para fazer. 


Mas eu costumo dizer que o trabalho deles é a escola. E se trabalharem muito e bem nos outros 9 meses do ano, merecem estes 3 meses de descanso e de "ronha". Que isto não dura sempre. Ah, pois não! Naturalmente que não tenho nada contra fazerem algumas coisas no Verão, seja voluntariado, trabalhar em part-time ou até full-time se é isso que querem, mas não é algo que eu imponha ou exija deles. Há um tempo para tudo (que ainda por cima passa tão depressa) e se tudo correr bem, irão ter muitos anos de trabalho pela frente ...


Há uns meses atrás o Miguel disse que estava a pensar arranjar um trabalho nas férias de Verão, mas a coisa acabou por não se concretizar. Pelo menos para já. Por um lado, como vai 3 semanas a Portugal em Julho, fica com o Verão cortado ao meio, o que não ajuda muito. Por outro lado, foi combinando programas com os amigos que lhe vão ocupando o tempo (neste momento está a caminho de North Carolina com 3 amigas para passar uma semaninha na praia na casa de uma delas). E por fim tem um amigo de Portugal que nos vem visitar em Junho por uma semana. Com tudo isto, lá deve ter chegado à conclusão que não teria muito tempo para trabalhar!