segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Férias repartidas

É um facto conhecido que nos Estados Unidos os trabalhadores beneficiam de direitos laborais muito inferiores aos da maior parte dos trabalhadores que vivem em países civilizados. Então em comparação com o que existe nos países do norte da Europa, nem se fala. Deixa muito americano de boca aberta ouvir falar da duração da licença de maternidade/paternidade ou do número de dias de férias pagas a que têm direito por ano. 

Claro que, como em relação a quase tudo, também a este respeito a realidade nunca se apresenta a preto e branco. É que aqui não há uma lei laboral aplicável a todos os trabalhadores. Há leis federais  e há leis estaduais, diferentes de Estado para Estado, aplicáveis aos funcionários do Estado, mas não obrigatoriamente aos funcionários do sector privado. Por exemplo, em Illinois não existe nenhuma lei que imponha a uma empresa privada a obrigação de "dar" férias ou licenças pagas aos seus trabalhadores. E depois há os regulamentos das empresas privadas. Onde raio pára o princípio da igualdade? Pois, que não por aqui!

Vou por isso limitar-me a falar do que se passa comigo, funcionária de uma Universidade pública do Estado do Illinois (o que faz de mim uma espécie de funcionária pública!). Ao contrário do que se passa na Europa, a Universidade, apesar de ser uma instituição do Estado, tem liberdade para estabelecer, e estabelece, os benefícios laborais dos seus próprios trabalhadores. Felizmente para mim, e para todos os mais de 4,000 funcionários não docentes da Universidade, até que esta é bem generosa (em termos americanos, claro, que não estamos na Escandinávia!). 

Por ano, tenho direito a 26 dias úteis de férias, pagos como qualquer dia de trabalho. Nada mau! Na verdade, são 24 dias de férias e 2 dias chamados de floating holidays, que podemos gozar quando queremos. Como não se observam os feriados religiosos, porque são muitas as religiões e seria difícil agradar a gregos e a troianos (com excepção do Natal que já ganhou um estatuto especial), cada trabalhador pode usar estes 2 dias para não trabalhar em dias que têm para si um significado especial. No meu caso, agnóstica militante, gozo-os como 2 dias adicionais de férias (como aliás a maior parte das pessoas, desconfio...). Para além das férias, tenho direito a 25 dias pagos para gozar em caso de doença (minha ou de alguém da família),  acesso a reforma e a um generoso seguro de saúde. 

Mas voltando às férias, se é verdade que posso gozar até 26 dias úteis por ano, o que se traduz em um pouco mais de 5 semanas, a verdade é que não posso tirar mais do que 2 semanas seguidas, não que haja qualquer lei ou regulamento nesse sentido, mas sim pela prática generalizada que existe. E só tiro 2 semanas seguidas se planear uma ida ao estrangeiro, caso contrário a "regra" é tirar até 1 semana de cada vez. A ideia é limitar os efeitos negativos das férias (!) no meu trabalho (muito fica por fazer) no volume de trabalho dos colegas que ficam (que necessariamente aumenta) e na produtividade da organização em geral (que diminui). Claro que há vários estudos/teorias/argumentos que contrariam esta abordagem dos períodos de descanso dos trabalhadores, mas claramente que não vingam por aqui!


Aqui, se tens a sorte de trabalhar numa organização que te proporciona um número razoável de dias de férias pagos por ano, o que muito gente não tem, há que os gozar de forma repartida. Em vez de umas férias grandes, temos muitas férias pequeninas. O que também tem as suas vantagens (há que ver sempre o copo meio cheio). Parece que estamos sempre de férias. Estou a gozar, não parece nada!


Nota: Comecei a escrever este post a pensar que ia falar da semaninha de férias que tive em Janeiro, em Portugal, mas a coisa descambou. Fica para a próxima ...

1 comentário:

  1. A minha mulher foi hoje para o Cambodja com duas amigas (estou solteiro, vou para a borga!!).
    No início de Abril vamos o Vietname (Hoi Nan e Da Nang).
    Assim tem mais piada.

    ResponderEliminar