quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Geometria Descritiva

Infelizmente, por razões óbvias, comprar arte não é algo que façamos com regularidade. Não é algo que façamos, ponto final. Gostava de poder dizer o contrário; gostava de ter as paredes de minha casa mais "compostinhas", mas arte a sério não é para o nosso bolso. Nada a fazer. Dito isto, pela primeira vez no verão passado, o Rui resolveu encomendar uma pintura sobre matemática, mais precisamente sobre geometria descritiva, a Luís Morgadinho, um pintor surrealista português, seu amigo de infância, e o resultado foi este:



Curiosidade: Quando no Verão voltámos para casa depois de passar as férias em Portugal trouxemos a pintura enrolada dentro de um tubo (daqueles próprios para transportar estas coisas). Veio connosco no avião pois não cabia dentro de nenhuma mala. Quando entrámos nos USA e passámos a alfândega fomos seleccionados aleatoriamente para inspeção das nossas malas e bagagem e eu pensei logo que o Agente ía implicar com a pintura e começar a fazer perguntas, mas o dito só tinha uma coisa em mente: enchidos! Sempre que uma mala era aberta para inspecção ele perguntava de forma insistente, enquanto revirava de forma pouco convicta o conteúdo da mala, se não trazíamos choriços. Acho que estava a espera de apreender uns quantos e, quem sabe, ter um jantar reforçado! Quanto ao tubo com a pintura, não lhe ligou nenhuma!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os anos 60 estão a bombar!

Por coincidência, nos últimos tempos tenho visto vários filmes e séries que se passam nos intensos anos 60. Que década do caraças! Tantas lutas históricas: Civil rights movement, movimento feminista, protestos contra a guerra do Vietname, protestos estudantis e por aí fora. 

No fim de semana passado fui ver o The Post. A-D-O-R-E-I! Na linha do Spotlight, que como disse na altura em que fui ver este último, é mesmo um dos meus tipos preferidos de filme. No caso do The Post, em causa estava a liberdade de imprensa, e mais uma vez se confirma quão importantes e determinantes foram as decisões do Supremo Tribunal Americano em momentos chave deste país. O Pentagon Papers case (contado no The Post) abriu caminho a uma jurisprudência fortíssima em defesa da liberdade de expressão e de imprensa nos USA, na altura sem qualquer paralelo na Europa (e ainda hoje sem paralelo em Portugal). 

Entretanto na televisão, acabei de ver uma série muito gira na Amazon Prime chamada Good Girls Revolt (que infelizmente parece não ir ter uma segunda temporada), que conta a história (baseada em factos reais) da luta de um grupo de mulheres pelo direito a serem jornalistas. Até aos anos 60, havia publicações nos Estados Unidos (e provavelmente noutros países) que empregavam mulheres como secretárias e como "investigadoras" (muitas delas até que se casassem, pois nessa altura iam para casa tratar do marido e ter filhos), mas que não as autorizava a serem jornalistas. As mulheres "ajudavam" os jornalistas no trabalho de investigação das histórias (muitas vezes eram elas que faziam a maior parte do trabalho), mas os autores dos artigos eram sempre os homens. 

Também na Amazon Prime, ando a ver a Marvelous Mrs Maisel, que num registo diferente (menos drama, mais comédia) conta a hstória de uma mulher, que após se divorciar do marido e descobrir que tem um talento natural para ser comediante, decide investir numa carreira profissional contra os usos e costumes daquela época. Apesar de esta história se passar um pouco antes - nos finais dos anos 50 em Nova Iorque - já se pode ver que estavam em desenvolvimento os movimentos de libertação que na década seguinte se tornaram incortornáveis. 

Estou a gostar muito deste passeio pelos anos 60 e fico sempre espantada quando penso que não foi assim há tanto tempo...

domingo, 14 de janeiro de 2018

Janeiro

O mês (o meu mês) começou muito bem, entre os meus amigos de sempre, que apesar da distância continuam lá, sempre lá, e nos recebem sempre como se nos tivessemos visto no fim de semana anterior.


Depois continuou assim-assim. O dia da viagem de regresso foi difícil e comecei a trabalhar no dia seguinte. Passaram exactamente 24 horas entre o momento em que me levantei na Bencanta e o momento em que entrei em minha casa em Urbana. Foram 3 voos, todos atrasaram (o que acabou por não ser mau de todo, pois deu para não perder nenhum) e chegámos a casa sem malas (que chegaram no dia seguinte, sem dramas). E a cereja no topo do bolo foi a enorme constipação que me atacou e que só agora me começa a dar tréguas.

Este ano não tenho resoluções de ano novo para aqui partilhar (digamos que o facto de nos últimos anos não ter cumprido com quase nada do que me propus fazer, me desmotivou ...), mas ía o Janeiro ainda no princípio quando tomei uma decisão que, não sendo life-changing, promete mudar alguns pormenores do meu dia-a-dia. Decidi desinstalar - e desinstalei - o Facebook e o Instagram do meu telemóvel. Não abandonei estas redes sociais (continuam instaladas no ipad) mas tirá-las do telefone que é aquela coisa que anda sempre comigo fez com que diminuisse consideravelmente o tempo que lá passo. 

A verdade é que dei por mim a passar todos os minutinhos mortos do meu dia (em casa, no trabalho, na rua, no carro, em restaurantes e por aí fora) a navegar no Instagram e no Facebook, o que para além da estupidez que é, só por si, estava a começar a afectar a minha visão. Sentia os olhos sempre irritados e inflamados. Aquela coisa de olhar para um ecran pequeno, a curta distância e sempre em movimento (muitas vezes movimentos rápidos, pois na verdade não estava a ver nada de especial, mas apenas a fazer deslizar as imagens para cima e para baixo a ver se alguma coisa me prendia a atenção) não pode ser lá muio saudável. E, so far so good!

Feliz 2018!

sábado, 16 de dezembro de 2017

#MeToo

Não há volta a dar, espero. Este movimento de denúncia veio para ficar, e já não era sem tempo. Não deve haver mulher no planeta que num momento ou outro da sua vida não se tenha sentido assediada, por palavras, ou actos, mais ou menos violentos. Mas sempre nojentos. Todas temos uma história que poderíamos contar. Num destes dias, na sequência de um destes high profile cases, uma comentadora afirmava isto mesmo num programa de televisão e o Rui virou-se para mim e disse qualquer coisa do género "isto parece-me um bocado exagerado, não achas?".

Não, não acho. E para além das histórias que teremos para contar, há um outro aspecto muito importante, que aos homens raramente passa pela cabeça, que é o impacto que este potencial assédio tem nas nossas vidas diárias. A forma como condiciona o que fazemos, onde vamos, como vamos e por aí fora. 

No outro dia, via A Cup of Jo, li um texto sobre isto de que gostei, entitulado Why Women are morbid sometimes?. Gostei porque toca na ferida e me fez pensar e é realmente importante pensar activamente nestas coisas, o que muitas vezes não fazemos porque, infelizmente, muitos destes comportamentos já nos são tão naturais como, por exemplo, apanhar uma coisa do chão quando ela nos cai ou atender o telefone quando ele toca. Falo de coisas tão banais como não entrar, ou hesitar entrar, num elevador onde já está um homem; mudar de passeio na rua porque atrás de si caminha um homem a poucos passos de distância; olhar em redor antes de abrir a porta do prédio para se certificar que não há nenhum homem num raio de X metros; entrar no carro e trancar as portas imediatamente; continuar a conduzir o carro com um pneu furado até casa para não ficar parada num sítio isolado a meio da noite, e por aí fora. É mesmo muito cansativo ser mulher!

Aqui fica o link para o artigo que falei, para quem estiver interessado:

https://courtneycasto.com/why-women-are-morbid/

domingo, 10 de dezembro de 2017

Detalhes natalícios!



Há muito que a Matilde queria fazer uma gingerbread house. Este ano, foi o ano e acho que para primeira experiência não ficou nada mal! Comprámos o kit e ela passou um serão inteiro a montar e decorar a casinha (ao som de música natalícia!). Mas decidimos usá-la apenas para fins decorativos, que a lista dos ingredientes era longa de mais ...




Esta é a (faked) árvore de natal que já nos acompanha há alguns anos, provavelmente desde o Natal de 2013, mas não tenho a certeza absoluta se a comprámos logo no primeiro ano. Sei que não é tão charmosa e bem cheirosa como os pinheiros naturais, mas tem o tamanho ideal para o cantinho que lhe está reservado e não suja a sala!


Todos os anos a Matilde quer que eu compre meias grandes para substituir estas minis que ponho na lareira, mas descobri que dou mais valor a esta coisa da "tradição" do que pensava e já não as consigo substituir sem achar que estou a dar uma facada pelas costas nos últimos 4 Natais!



DIY by Teresa Loja, que atravessou o Atlântico no Verão de 2013 dentro de um contentor. Tradição ao rubro! E que bem que fica na porta principal da nossa casa. 


Mas nem tudo é "velho". Estas são algumas das peças que comprei mais recentemente, com um toque mais moderno e nórdico (nórdico e colorido, quem diria ...). 


E este é o cantinho oposto da prateleira que fica por cima da nossa lareira. Mais umas aquisições recentes que compõem o ramalhete. É sempre engraçado ver como o nosso gosto muda/evolui ao longo dos tempos. Todos os anos há pelo menos mais uma peça que não passa o teste do tempo e acaba por ficar dentro da caixa. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sugestões cinematográficas

Recentemente fomos ao cinema ver 2 filmes de que gostei muito. Duas experiências totalmente diferentes, mas muito boas e que recomendo.

No Thanksgiving consegui "arrastar" a família toda ao cinema, numa rara actividade a 5. Escolher o filme não foi fácil, e o único que obteve o consenso, ainda que com alguma resistência inicial por parte de alguns dos envolvidos, foi o último filme da Pixar, Coco. E a Pixar voltou a não desiludir. A história de Coco centra-se numa família mexicana, que vive numa pequena aldeia no México, e é retratada de uma forma muito cândida e carinhosa, sem recursos aos habituais estereótipos americanos sobre os seus vizinhos do sul. Um filme sobre a família, sonhos, tradições, e a morte (só se morre verdadeiramente quando nenhum vivo se recorda de nós), que se desenvolve em vários graus de complexidade, transformando um filme para crianças num filme que toda a família gosta. Delicioso!

Uns dias mais tarde, fui com uns amigos ver Lady Birth, cuja história se desenrola em Sacramento, cidade considerada (fiquei a saber), o midwest da Califórnia e conta a história de uma adolescente naquela fase de transição entre o fim da High School e a ida para a Universidade, fase que aqui nos Estados Unidos têm um significado muito mais marcante e abrangente do que na Europa, já que representa o momento em que a grande maioria dos jovens saiem de casa dos pais para, regra geral, não mais voltar (excepto para passar férias ou outras visitas ocasionais, normalmente em épocas festivas). Lady Birth, vive no seio de uma família da classe média baixa, com uma mãe de temperamento forte, passivo-agressiva, um pai bonzinho, mas muito mais low profile e uma melhor amiga pouco cool. É um filme mesmo à minha media, sobre pessoas, famílias, relações (familiares, de amizade e amorosas), muito humano, com excelentes representações. 

Ontem, vi na televisão, via Amazon Prime, um filme de que também gostei muito, baseado em factos reais, chamado The Big Sick e que conta a história da relação entre um comediante em ínico de carreira de origem paquistanesa e uma estudante americana. Um choque de culturas, tão complicado de gerir, e que os filhos dos imigrantes sofrem na pele de forma muito marcante - de um lado a família e as tradições do seu país de origem. Do outro lado, os  amigos, a escola e toda a realidade do país em que vivem o seu dia-a-dia e em que estão inseridos de uma forma muito mais profunda do que os pais, que regra geral, conseguem manter um relativo distanciamento. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Burocracias à portuguesa

Este país pode ter muitos defeitos, que os tem, mas regra geral as coisas funcionam bem, quer no sector privado, quer no público. Não há grandes burocracias, as pessoas e os serviços são eficientes. Nem tudo é perfeito, claro (por exemplo o sector bancário deixa muito a desejar, comparado com o Europeu) mas não temos grandes razões de queixa. Até que precisámos de fazer uma procuração para mandar para Portugal...

Ora, nos Estados Unidos não há notários, pelo que tivemos que recorrer aos Serviços Consulares Portugueses, e descobrimos que há um Cônsul Honorário em Chicago. Contactei-o por email, e depois de vários emails trocados, ele marcou um dia e hora para irmos ao seu escritório fazer a procuração. "Meti" o dia de férias (sempre achei muito esquisito dizer-se "meter férias") e rumámos a Chicago. Chegámos cedo, pelo que ainda deu para dar uma volta e almoçar, e há hora marcada lá estávamos no escritório do Cônsul. Ou melhor, lá estávamos na recepção do prédio onde o Cônsul tem o seu escritório, uma daquelas torres gigantes na downtown. E a recepção foi a única coisa que vimos, mesmo. O nosso nome não estava na portaria (o que nos devia logo ter posto de sobreaviso ...) pelo que não nos deixaram subir. A recepcionista telefonou "lá para cima" e parece que a nossa marcação não estava na agenda do Cônsul. Esperámos 1 hora na portaria, sempre a tentar contactá-lo por telefone (e a deixar mensagens progressivamente menos simpáticas na caixa de mensagens), mas o dito nem sequer se dignou a falar connosco, pelo que voltámos para casa sem a procuração e com uma carga de nervos em cima. Perdi um dia de férias, fizemos 400 quilómetros de carro, mas o pior de tudo é esta sensação de irresponsabilidade e falta de respeito que nos deixa mesmo frustrados. 

Vínhamos na viagem de regresso a casa quando recebemos um telefonema do Cônsul. Estava claramente pouco satisfeito com as mensagens que lhe deixámos no telefone e ainda tentou justificar-se, mas lá acabou por pedir desculpa, apesar de ainda ter tentado culpar a secretária (sem razão, diga-se, que a marcação foi feita directamente por ele). No final do telefonema disponibilizou-se para fazer nova marcação, mas a minha resposta foi imediata: Não, obrigada!