terça-feira, 19 de abril de 2016

A caminho de ... Harvard!

Foi uma escolha muito difícil, tomada no último dia do prazo! Reduzir a pool a Harvard e Stanford foi fácil, muito fácil, já que são, sem dúvida nenhuma, os 2 melhores programas de Doutoramento na área da Ciência Política que lhe interessa. Mas escolher um deles, foi muito difícil.

Há cerca de 2 semanas atrás, foi visitar os 2 Departamentos, primeiro Harvard, depois Stanford (de caminho visitou também Berkeley, já que é relativamente perto de Stanford). Foram 10 dias on the road! A minha esperança era que as visitas ajudassem, que a empatia por um sítio fosse claramente superior ao outro, mas isso não aconteceu. Em ambos os sítios conheceu pessoas que a fascinaram e inspiraram e com quem se imaginou a trabalhar nos próximos anos. Voltou para casa com o mesmo dilema com que tinha saído.

Se o nível dos programas é muito semelhante, (quase) tudo o resto divide estes 2 locais, havendo pontos positivos e negativos em cada um deles. 
Harvard fica na Costa Leste, em Cambridge, Massachusets, na margem do rio Charles, mesmo em frente a Boston, uma das cidades mais interessantes dos Estados Unidos. Stanford fica na Costa Oeste, no norte da Califórnia, em Palo Alto, uma "aldeia" a 45 minutos de São Francisco, que pouco mas tem do que a Universidade. Harvard fica mais perto de Urbana-Champaign e de Portugal (há voos directos Boston-Lisboa todo o ano). A California fica muito longe de tudo. Mas em Harvard, no Inverno, neva e faz frio. Em Palo Alto, é Primavera/Verão todo o ano. 


Localização versus clima: um ponto a favor de Harvard em termos de localização e um a favor de Stanford em termos de clima! No fim, o prato da balança pendeu a favor de Harvard, mas podia perfeitamente ter sido the other way around. Eu fiquei contente, confesso, pois estava a torcer pela Costa Leste. É mais fácil e barato ir visitá-la!


Em termos de empregabilidade (placement, como aqui dizem), um factor importante nos tempos que correm, ambos os programas são muito bons, conseguindo colocar os seus graduados (que querem seguir a carreira académica) nas melhores Universidades. Curiosamente, um Professor de Harvard até lhe disse, meio a brincar, quando soube que ela estava indecisa entre os 2 Programas, que se ela quer mesmo ir para a Califórnia, o melhor era ir para Harvard, já que muito frequentemente, os melhores Doutorados de Harvard são contratados por Stanford logo após concluírem o Doutoramento, mas o inverso não acontece tão frequentemente!


Tenho a certeza que nos próximos anos vão haver momentos menos bons em que ela se vai arrepender de ter feito esta opção (what if ...), quanto mais não seja no pico do Inverno, quando estiverem temperaturas negativas na Costa Leste e um sol radioso na Califórnia, mas a vida é feita de escolhas, e tenho a certeza que esta é uma com que ela vai conseguir viver muito bem!

sábado, 16 de abril de 2016

Filmes que não me deixam dormir

As minhas 2 últimas experiências cinematográficas foram fortes e deixaram marcas, daquelas que incomodam e que teimam em voltar, que nos deixam a pensar e que não nos deixam dormir. 

No fim de semana passado, vimos no cinema o filme Eyes in the Sky, um filme inglês (com a Helen Mirren, Aaron Paul e Alan Rickman) sobre a guerra do Século XXI, contra o terrorismo, com drones, vigilância aérea, e os inevitáveis danos colaterais. A acção decorre em Nairobi e tem como objectivo capturar uns proeminentes extremistas islâmicos, que preparavam um duplo atentado suicida, mas em plena malha urbana, os danos colaterais de um bombardeamento através de drones (conduzido a partir de uma base aérea nos Estados Unidos) são inevitáveis, colocando os militares e políticos responsáveis pelo ataque num terrível dilema ético (45% nunca mais terá o mesmo significado). Pela minha parte, agradeço profundamente não ter que tomar tais decisões no meu dia a dia de trabalho, porque aí é que não dormia mesmo!
 











Uns dias depois tivemos uma movie night em casa dos nossos amigos catalães e vimos Eastern Promises, um filme de 2007, com o incrível Viggo Mortensen e a linda, linda Naomi Watts. A acção decorre em Londres, no seio da máfia russa, e dos seus negócios ilegais, que incluem o tráfico de mulheres e prostituição. As cenas iniciais são brutais, e deixam-nos imediatamente num estado de alerta, que não mais nos larga até quase ao fim do filme. Naomi Watts é uma jovem enfermeira, inglesa de ascendência russa, que assiste a um parto em que uma adolescente russa, acaba por morrer ao dar à luz uma criança. Com a criança órfã nos braços, descobre entre as coisa da mãe, um diário, escrito em russo, que a vai fazer mergulhar no submundo da máfia russa londrina em busca de familiares a quem pudesse entregar a criança. Viggo Mortensen faz o papel de fiel motorista/guarda-costas do execrável filho do execrável patriarca russo, uma figura misteriosa, que terá um papel central e surpreendente no desenrolar da história. E mais não digo, para não estragar os planos de quem, depois de tudo isto, ainda tiver coragem de ir ver o filme!



segunda-feira, 11 de abril de 2016

O jantar

Desde que existimos como família que (regra geral) esta é a única refeição do dia em que nos sentamos todos à mesa, ao mesmo tempo. Parece pouco. Num mundo ideal partilharíamos mais refeições com os nossos, mas na verdade, sempre que olho à minha volta, fico com a sensação que fazemos mais do que muitas famílias, seja porque não é possível ou conveniente, seja porque simplesmente não o valorizam ou cultivam.

Desde a nossa primeira casa que todos têm o seu lugar específico à mesa, que não muda, excepto por motivo de força maior, como seja termos convidados para jantar. Nas 3 últimas casas - Restelo, Vermont Ave e Delaware Ave - porque já todos eram suficientemente crescidos para terem voto na matéria, a escolha do lugar à mesa foi activamente discutida e até negociada pelos meus filhos, cientes da importância da decisão!


Regra geral, os nossos jantares são animados e barulhentos, ou não houvessem aqui várias costelas "Pratas Jorge", como gosta de dizer o meu excelentíssimo marido! Seja futebol, política, economia ou simplesmente o dia a dia de cada um, há sempre motivo para conversa. Na verdade, muitas vezes, são animados demais, a roçar a discussão acesa, normalmente entre o Rui e a Mafalda, cujas opiniões e temperamentos fortes,  os levam ao limite e ao confronto com demasiada facilidade. 


Não há televisão na nossa sala de jantar, nem sequer ângulo para ver a que está na sala de estar. E não são permitidos computadores, ipads ou telemóveis à mesa, apesar de estarem todos à mão de semear e serem muitas vezes permitidas consultas para esclarecer um qualquer facto objecto de uma das discussões acesas acima mencionadas! É que às vezes mais vale ir rapidamente ao Goggle, do que deixar os ânimos aquecer demasiado!

Em breve também esta rotina de nos sentarmos os 5 à mesa a jantar vai ficar reservada a datas ou celebrações especiais, por isso a quis aqui congelar para memória futura (isto numa altura em que não nos sentamos todos juntos há vários dias).



terça-feira, 29 de março de 2016

Florida - Parte II - Praia

Cumprida a promessa da Disney World, os 2 dias seguintes foram reservados à praia, que isto de viver no Midwest, alimenta a sede de mar! No primeiro desses dias fomos até à costa Atlântica, a uma praia na zona de Cape Canaveral, mesmo ali ao lado das instalações da NASA. Cocoa Beach, de seu nome. As temperaturas, atmosférica e da água do mar, estavam bem simpáticas, principalmente a água do mar que me pareceu estar para lá de 22º/23º graus, mas esteve sempre meio enevoado. Ou seja, deu para matar saudades, para tomar uns banhos e fazer umas caminhadas junto ao mar, mas não fomos brindados com um dia de praia espectacular! 







No segundo dia resolvemos ir até uma praia na costa do Golfo do México. Big mistake! Na ida, apanhámos um engarrafamento gigantesco, coisa a que já não estamos minimamente habituados e que me deixa sempre à beira de um ataque de nervos, e quando lá chegámos começou a chover torrencialmente, tipo aquelas tempestades tropicais, que num curto espaço de tempo deixa tudo inundado. Fugimos da praia, procurámos um restaurante, acabámos por comer uma pizza e resolvemos voltar para o hotel, que o dia de praia estava definitivamente posto de parte. No regresso, apanhámos outro engarrafamento. Foram horas dentro do carro!







De regresso ao hotel, ainda deu para ir um pouco à piscina, para que o dia não fosse um desperdício total e também para aproveitar um pouco as infra-estruturas do hotel, que acabamos sempre por desaproveitar. No fim do dia, fomos até Orlando, e jantámos muito bem, num restaurante Italiano, numa zona muito animada da cidade. 






Orlando vive do turismo. Para além do complexo da Disney World, um espaço gigantesco, integrado por 4 ou 5 parques diferentes, vários hotéis, parques de estacionamento e um sistema integrado de transporte que liga tudo isto, há vários outros parques de diversões. Há hóteis e restaurantes por todo o lado. Muito ruído, sonoro e visual. Um daqueles sítios onde é bom ir, mas não ficar!

domingo, 27 de março de 2016

Florida - Parte I - Disney World

Missão cumprida ✔️✔️✔️

Foi tal e qual eu tinha previsto - sol, calor, muito gente e filas intermináveis! Mas o que tem que ser, tem muita força, e o melhor é entrar no espírito e aproveitar. Não fomos ao parque principal - Magic Kingdom - por opção da Matilde, que o deve ter achado muito infantil. Fomos ao Hollywood Studios. Achei que se calhar teria menos gente, mas não. Havia muita gente, mesmo muita gente, por todo o lado.

O hotel onde ficámos tinha um shuttle que faz várias viagens diariamente entre o hotel e a Disney, o que foi óptimo, pois não ter que ir de carro foi um descanso. Apesar de haver muita gente e de todos os sacos, carteiras e mochilas terem que ser revistados, a entrada foi muito eficiente. Lá dentro, nem por isso! Todas as atrações tinham fila para entrar, sendo que as mais concorridas, tipo Star Wars e Toys Story, a espera chegava às 2 horas! Mas fomos a todas as que queríamos ir, mesmo as mais concorridas.

Sempre que vou a este tipo de sítios fico impressionada com a quantidade de gente que para lá vai com bebés pequenos. No espectáculo da Bela e o Monstro, atrás de nós estava sentada uma senhora com um bebé ao colo que, no máximo dos máximos, teria 3 meses de vida! Ao fim de algumas horas é ver criancinhas rabugentas, a fazer fitas por tudo e por nada, ou simplesmente a dormir nos carrinhos. Felizmente, connosco foi tudo bem diferente. A Matilde é uma verdadeira compincha, sempre bem disposta, disponível para ir alterando os planos, quando as circunstâncias o impõem. É mesmo um prazer fazer coisas com esta miúda!

 (A planear o dia no Starbucks)



(Gente e mais gente no espectáculo do Indiana Jones)

(Stroller Parkings - por todo o lado!)





(Com um dos soldadinho do Toy Story)



(A selfie da despedida)

quarta-feira, 16 de março de 2016

Este ano vai ser diferente

Aproxima-se o Spring Break. Aquela altura do ano em que vamos "para fora cá dentro". Há 2 anos fomos até Austin, Texas, passando por Memphis e Dallas. Fomos visitar velhos amigos dos nossos tempos de Minneapolis, que não viamos há muitos anos. No ano passado, fomos a Washington D.C., onde actualmente vive, com a sua família, um amigo português, que conhecemos em Urbana.  Sempre fomos os 5, de carro, o que nos permitiu passar muitas horas juntos, para o bem e para o mal!

Este ano vai ser diferente. Este ano vamos à Florida, só nós e a Matilde. Na verdade, vamos à Florida por causa da Matilde, que há muito deseja ir à Disney World. E a ir que seja quando ainda é criança, (pelo que não há tempo a perder, já que só faltam uns meses para fazer 13 anos, e passar a ser oficialmente uma teenager!). Parques de diversões não são propriamente a minha "cena", pelo que  vamos tentar despachar esta missão em 1 ou 2 dias e depois vamos aproveitar para passear, conhecer Orlando e ir à praia! 

Os mais velhos baldaram-se, o que, na verdade, não me surpreendeu. Cresceram, anseiam descolar dos pais e ir à sua vida. Eu tenho pena, mas ao mesmo tempo gosto de os ver bem, confiantes e independentes. Ela vai a New York visitar 1 ou 2 universidades, aproveitando para passear e visitar a Big Apple. Apesar de já lá ter estado há uns bons anos atrás (tinha 15 ou 16 anos), numa viagem inesquecível que fizemos as 2 com a minha amiga C. e a sua filha mais velha, tenho a certeza que esta viagem vai ser muito diferente, porque ela está muito diferente. É uma jovem adulta, com a cabeça a fervilhar e uma enorme vontade de voar sózinha.

Ele vai ficar em casa, com a desculpa de que tem treinos de ténis. Sondou os amigos, percebeu que muitos vão ficar por aqui, pelo que decidiu ficar home alone, uma estreia para ele. Vamos ver como se desenrasca. Espero que não se ponha a organizar festas loucas aqui em casa, daquelas à filme americano, em que os miúdos todos se embebedam, desatam a fazer disparates pela casa, até algum vizinho menos compreensivo chamar a polícia. Bom, espero não ficar a matutar nisto durante as minhas férias, que bem preciso delas para descansar!
 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Burocracia à portuguesa!

Stanford pediu à Mafalda para lhes enviar um certificado de habilitações, o que no caso dela significou pedir um certificado aqui na University of Illinois e um na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, onde ela completou o primeiro ano da Faculdade. E eis que nos deparámos com um exemplo muito esclarecedor do gigantesco contraste entre a eficiência americana e a burocracia portuguesa.

Para obter o certificado de Illinois, a Mafalda acedeu ao site da Universidade, fez o pedido on-line (onde indicou o nome e morada do destinatário do certificado) e pagou o certificado e o seu envio com cartão de débito/crédito. Demorou 5 minutos e não saiu da sua secretária. 


Para obter o certificado da Nova teve que mandar um e-mail para a Secretaria a explicar o que queria. Dois dias depois recebeu um email que a informava que (1) o pedido teria que ser feito por requerimento (que lhe enviaram em anexo), (2) que o pagamento teria que ser feito por transferência bancária e que o comprovativo do pagamento teria que ser enviado por e-mail para a escola e (3) que não podiam enviar o certificado por correio para os Estados Unidos (alguém teria que ir à Secretaria levantá-lo). Ela lá imprimiu, preencheu, assinou, digitalizou e enviou o requerimento. Fez o pagamento, imprimiu e enviou o comprovativo. No dia seguinte, recebeu um e-mail a dizer que o pedido tinha sido recebido. Dois dias depois, o solicitador do meu antigo escritório foi à dita secretaria para levantar o certificado, mas foi informado que só estaria pronto daí a 3 dias. Passados 3 dias lá voltou à Secretaria, levantou o certificado, contactou a DHL que tratou do resto. 


E é isto. Viva o Simplex!